A votação de Wilder Morais (PL) na disputa pelo governo de Goiás, em 2026, foi a segunda mais baixa entre os candidatos lançados pelo Partido Liberal nos estados. O senador recebeu 797.141 votos, o equivalente a 21,96% dos votos válidos, e terminou a eleição na segunda colocação, atrás de Daniel Vilela (MDB), reeleito com 59,17%.
Entre as candidaturas próprias do PL, apenas Flávio Roscoe, em Minas Gerais, teve desempenho proporcional inferior. Ele recebeu 795.193 votos, correspondentes a 6,97% dos válidos, e terminou na terceira posição.
Apesar da proximidade na quantidade absoluta de votos — Wilder recebeu apenas 1.948 votos a mais que Roscoe —, a diferença proporcional entre os dois foi de 14,99 pontos percentuais.
O resultado goiano também ficou abaixo do registrado por outros candidatos do partido em estados do Centro-Oeste. Em Mato Grosso, Wellington Fagundes alcançou 23,19% dos votos válidos, enquanto Wilder ficou em 21,96%.
No Rio Grande do Norte, Álvaro Dias obteve 26,71%. Já Efraim Filho, na Paraíba, alcançou 24,18%.

Efeito colateral
A derrota de Wilder Morais na eleição para o governo também intensificou a disputa interna pelo comando do PL em Goiás. O senador, que preside o diretório estadual, enfrenta articulações de um grupo que defende mudanças na direção partidária e tem o senador eleito Gustavo Gayer como principal nome para assumir o posto.
Além de Gayer, integram o grupo a deputada federal Magda Mofatto e o prefeito de Anápolis, Márcio Corrêa. Os três defendiam uma aproximação do PL com a base governista de Daniel Vilela durante as articulações eleitorais, em contraposição à estratégia de Wilder, que manteve a candidatura própria ao Palácio das Esmeraldas.
A movimentação ganhou força depois do resultado das urnas, em 4 de outubro. Gayer passou a liderar articulações para aproximar a bancada eleita do PL na Assembleia Legislativa do governo estadual. A aproximação ocorre em um contexto no qual Daniel Vilela e Ronaldo Caiado também se envolveram na campanha presidencial de Flávio Bolsonaro.
Wilder, por sua vez, sinalizou que pretende permanecer na presidência estadual da legenda. O senador chegou a procurar a direção nacional do partido para defender sua continuidade no cargo. A definição depende das articulações internas e da posição do presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto.
A disputa envolve também o posicionamento que o partido adotará em Goiás nos próximos anos: enquanto Wilder defende uma postura de oposição ao governo estadual, Gayer e aliados articulam uma relação mais próxima com Daniel Vilela.
PL elege seis governadores
Apesar dos resultados distintos nas disputas estaduais, o PL terminou as eleições de 2026 como a legenda com maior número de governadores eleitos. Foram seis vitórias: Santa Catarina, Paraná, Rio Grande do Sul, Rondônia, Roraima e Rio de Janeiro.
Em Santa Catarina, Jorginho Mello conquistou a reeleição. No Paraná, Sergio Moro venceu a disputa. No Rio Grande do Sul, Luciano Zucco foi eleito, enquanto Marcos Rogério conquistou o governo de Rondônia e Arthur Henrique venceu em Roraima.
No Rio de Janeiro, Douglas Ruas também foi proclamado eleito no primeiro turno após a retotalização dos votos determinada pela Justiça Eleitoral. A mudança ocorreu depois que os votos de Anthony Garotinho (Republicanos), cuja candidatura teve o registro indeferido, foram retirados do cálculo dos votos válidos. Com isso, Ruas passou de 49,27% para 50,88%.
O resultado consolidou o PL como a legenda com mais governos estaduais a partir de 2027, à frente do PSD, que terminou com cinco governadores eleitos.
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