Uma exposição gratuita em Goiânia transforma lembranças de infância, histórias familiares e experiências de perda em pinturas. A mostra “Gestos autobiográficos”, do artista Brayan Arantes, está em cartaz na Galeria de Vidro do Centro Cultural da Universidade Federal de Goiás (UFG), no Setor Leste Universitário, e pode ser visitada até 13 de novembro de 2026.
O trabalho parte de uma pergunta bastante pessoal: de que maneira as lembranças de uma família podem ganhar forma por meio da arte? Para explorar essa questão, o artista reúne pinturas que dialogam com a casa onde passou parte da infância, a figura da avó, as relações familiares e as marcas deixadas pelo tempo.
A exposição é resultado da pesquisa de doutorado de Brayan no Programa de Pós-Graduação em Arte e Cultura Visual da UFG. Embora tenha origem acadêmica, a proposta se aproxima de experiências comuns a muitas pessoas, como guardar recordações de familiares, reconhecer objetos antigos e revisitar lugares que fizeram parte da própria história.
Pinturas resgatam lembranças da avó e da casa de infância
A exposição reúne quatro séries produzidas entre 2024 e 2026. Cada uma apresenta uma maneira diferente de trabalhar a memória familiar, especialmente as lembranças relacionadas à família materna do artista.
Em “Os Cabelos de Minha Vó São Brancos”, de 2024, a figura da avó aparece como ponto de partida para a construção das imagens. A série integra um conjunto de trabalhos que procuram dar forma visual a lembranças e vínculos afetivos.
Também realizada em 2024, “Árvore Genealógica” aproxima a produção artística das relações de parentesco e da maneira como histórias individuais se conectam às experiências de outras gerações.
Obras da exposição “Gestos autobiográficos”, de Brayan Arantes, no Centro Cultural UFG. Foto: Divulgação/UFG.
A terceira série, “Os Vestidos de Minha Vó São Pretos”, foi desenvolvida em 2025. O título introduz uma referência a elementos do cotidiano familiar e se relaciona à investigação sobre memória e luto presente na exposição.
Já “Fragmentos da minha casa de infância”, de 2026, volta o olhar para o espaço doméstico. A casa aparece como lugar de lembranças, experiências e relações que continuam presentes mesmo depois da passagem do tempo.
Reunidas, as quatro séries permitem acompanhar diferentes momentos da pesquisa do artista e perceber como temas pessoais podem ser transformados em uma experiência visual compartilhada com o público.
Exposição propõe um olhar diferente sobre os gestos
O título “Gestos autobiográficos” está relacionado à maneira como Brayan Arantes compreende a própria criação artística.
Na pesquisa apresentada pela UFG, o gesto não se limita ao movimento das mãos ou do corpo durante a pintura. Ele também pode estar presente em uma palavra anotada, em um rascunho, em um objeto guardado ou em uma ação que carrega algum significado pessoal.
Essa abordagem permite aproximar o processo de criação de situações que fazem parte da vida cotidiana. Fotografias antigas, peças de roupa, móveis e pequenos objetos, por exemplo, podem despertar lembranças e representar vínculos que nem sempre são expressos em palavras.
Na exposição, sentimentos, ações, registros e materiais são investigados como elementos capazes de participar da construção de uma narrativa autobiográfica.
A proposta também envolve experiências de perda. Em vez de apresentar o luto apenas como um tema abstrato, os trabalhos o relacionam às memórias familiares e aos vestígios que permanecem depois da ausência de alguém.
Assim, a pintura funciona como uma maneira de investigar o passado e de construir novas relações com essas lembranças no presente.
Centro Cultural UFG recebe diferentes propostas de arte contemporânea
A Galeria de Vidro, onde a exposição está instalada, integra o Centro Cultural UFG, espaço dedicado à realização de exposições, apresentações e outras atividades artísticas na capital.
A programação do local permite que o público tenha contato com trabalhos de artistas que exploram diferentes linguagens e temas da produção contemporânea.
Quem gosta desse tipo de passeio também pode conhecer outras mostras em cartaz na cidade. O Curta Mais reuniu, por exemplo, três exposições gratuitas de arte contemporânea na Vila Cultural Cora Coralina, com trabalhos que abordam memória, paisagem, silêncio e experiências humanas por diferentes perspectivas.
No caso de “Gestos autobiográficos”, o interesse está na aproximação entre pesquisa artística e história pessoal. As pinturas não procuram contar apenas acontecimentos isolados, mas investigar como as relações familiares, os espaços e os objetos participam da formação das lembranças.
Para o visitante, a mostra oferece uma oportunidade de conhecer a produção de Brayan Arantes e observar como experiências particulares podem se transformar em arte.
Como visitar a exposição gratuita em Goiânia
A mostra foi aberta em 8 de outubro e segue disponível para visitação até 13 de novembro. O acesso é gratuito, sem cobrança de ingresso.
A programação oficial do Centro Cultural UFG confirma o período de visitação, o horário e o espaço que recebe os trabalhos.
Serviço
Exposição: Gestos autobiográficos
Artista: Brayan Arantes
Visitação: até 13 de novembro de 2026
Horário: das 10h às 17h30
Local: Galeria de Vidro do Centro Cultural UFG
Endereço: Avenida Universitária, nº 1.533, Setor Leste Universitário, Goiânia
Entrada: gratuita
Informações: Centro Cultural UFG


