O eletrofunk de Goiânia, que ganhou força nas festas de som automotivo e nas periferias da capital, vai chegar às telas de cinema. O filme A Tropa de Goiânia!, com estreia marcada para 12 de novembro de 2026 nos cinemas de Goiás, conta como um movimento musical construído por DJs, MCs e produtores locais ultrapassou as fronteiras do estado e conquistou público em diferentes regiões do Brasil.
Dirigido por João Lucas Ribeiro e Iuri Moreno, o longa-metragem tem 70 minutos de duração e reúne depoimentos de artistas, empresários e profissionais que participaram da formação e da expansão do gênero. A proposta é apresentar a história do eletrofunk pela perspectiva de quem viveu o crescimento dessa cena musical.
O filme também recupera imagens dos bastidores de grandes eventos e mostra como uma manifestação cultural inicialmente ligada à periferia passou a ocupar palcos, plataformas digitais e espaços de reconhecimento nacional.
Das festas de som automotivo aos palcos do Brasil
A história do eletrofunk está diretamente relacionada à cultura do som automotivo em Goiás. O gênero combina elementos da música eletrônica, especialmente do house, com a energia e as características do funk brasileiro.
Documentário “A Tropa de Goiânia!” reúne artistas e produtores que ajudaram a popularizar o eletrofunk. Foto: Divulgação.
Um dos personagens importantes dessa trajetória é a Abelvolks, empresa ligada ao segmento de som automotivo e fundada em 1967. As festas e os encontros promovidos pela marca, sobretudo a partir da década de 1990, ajudaram a consolidar um ambiente favorável ao surgimento de novas experiências musicais.
Com o passar dos anos, DJs e produtores começaram a desenvolver uma sonoridade própria, marcada por batidas eletrônicas e referências do funk. O resultado foi um movimento que se fortaleceu nas festas populares e encontrou novos públicos.
Documentário “A Tropa de Goiânia!” reúne artistas e produtores que ajudaram a popularizar o eletrofunk. Foto: Divulgação.
A expansão ganhou impulso durante a pandemia de Covid-19, quando lançamentos musicais e a circulação de conteúdos nas plataformas digitais contribuíram para ampliar o alcance do gênero. Entre os trabalhos lembrados na história do movimento está o álbum 22 Eletro Funk Especial de Quarentena, de Wam Baster.
Em 2023, a Assembleia Legislativa de Goiás realizou uma sessão solene em homenagem a DJs e produtores ligados ao eletrofunk, reconhecendo a contribuição cultural do movimento para o estado.
MC Jacaré, DJ Jiraya Uai e outros artistas participam do documentário
A Tropa de Goiânia! reúne nomes conhecidos da cena, como MC Jacaré, DJ Jiraya Uai, DJ Brenno Paixão, DJ Fabrício Rodrigues, DJ Índia, DJ Junim Dantes, DJ Low, DJ Tubas, DJ Vinícius Cavalcante, MC Lozin, Maaju, Dan Better e Wam Baster.
A produção também apresenta depoimentos do produtor musical Nadir Netto, dos empresários Glauber Silva e Silvibel Silva, ligados à Abelvolks, e de Santiago Maia, da Sam Music.
Documentário “A Tropa de Goiânia!” reúne artistas e produtores que ajudaram a popularizar o eletrofunk. Foto: Divulgação.
Ao reunir artistas de diferentes momentos do movimento, o documentário busca mostrar que o crescimento do eletrofunk não dependeu apenas de músicas que fizeram sucesso. Por trás das apresentações e dos lançamentos, existe uma rede de produtores, equipes de som, organizadores de eventos e profissionais que ajudaram a construir o espaço ocupado pelo gênero atualmente.
A presença desses personagens permite acompanhar as transformações da cena, desde os primeiros encontros até a projeção alcançada por artistas goianos em outras regiões do país e também no exterior.
Produção goiana registra uma parte da identidade cultural do estado
O documentário é uma produção da Caolha Filmes, em parceria com a Fósforo Cultural e a Matuta Produções, com distribuição da própria Caolha Filmes.
O projeto foi viabilizado por recursos da Lei Paulo Gustavo e realizado em Goiás, com uma equipe formada majoritariamente por profissionais do estado.
Documentário “A Tropa de Goiânia!” reúne artistas e produtores que ajudaram a popularizar o eletrofunk. Foto: Divulgação.
Um dos diretores, João Lucas Ribeiro, atua há mais de duas décadas na cena cultural brasileira. Fundador da Fósforo Cultural, esteve envolvido na criação de eventos como os festivais Vaca Amarela, La Bomba Latina e Grito Rock. A Tropa de Goiânia! marca sua estreia na direção de um longa-metragem.
Iuri Moreno, por sua vez, trabalha como diretor, roteirista e produtor executivo. Sócio da Caolha Filmes, recebeu em 2023 o troféu Grande Otelo pelo curta-metragem A Menina Atrás do Espelho.
A realização do filme amplia o registro audiovisual de uma manifestação musical que se desenvolveu em Goiás e ganhou projeção fora do estado. Mais do que apresentar artistas conhecidos, a obra documenta as pessoas, os espaços e as transformações que fizeram parte dessa trajetória.
Para quem acompanha a produção cultural goiana, a estreia também representa uma oportunidade de conhecer uma história musical construída em Goiânia, mas que hoje encontra público muito além da capital.
O trailer oficial está disponível no perfil do documentário no Instagram e também pode ser assistido no YouTube.
A força do eletrofunk também abriu espaço para novas misturas musicais em Goiás. Um exemplo é o projeto gravado em Goiânia que mistura piseiro e eletrofunk, já apresentado pelo Curta Mais, que mostra como a sonoridade segue influenciando outras produções.
Quando estreia “A Tropa de Goiânia!”?
Filme: A Tropa de Goiânia!
Estreia: 12 de novembro de 2026
Onde: cinemas de Goiás
Gênero: documentário
Duração: 70 minutos
Direção: João Lucas Ribeiro e Iuri Moreno
Classificação indicativa: 12 anos
A programação das salas, os horários das sessões e os preços dos ingressos ainda precisam ser consultados junto aos cinemas participantes.


