Na Chapada dos Veadeiros, em Goiás, uma cachoeira chama a atenção por um detalhe que explica seu próprio nome: durante o período chuvoso, a água se espalha por um extenso paredão de pedras, formando uma paisagem que lembra uma verdadeira muralha. É a Cachoeira da Muralha, uma das atrações do Parque Estadual Águas do Paraíso, na zona rural de Alto Paraíso de Goiás.
O cenário é especialmente marcante entre novembro e março, quando as chuvas aumentam o volume do Rio dos Couros. Nessa época, a água pode ocupar praticamente toda a extensão do paredão rochoso, criando uma sequência de quedas lado a lado. Nos meses mais secos, parte das pedras fica mais aparente e a cachoeira ganha outra configuração.
A transformação faz do lugar um destino interessante para quem gosta de observar a natureza em diferentes épocas do ano. Mas há uma diferença importante entre contemplar e entrar na água: justamente quando a cachoeira fica mais volumosa, os riscos associados à força do rio também aumentam.
Uma cachoeira que muda de aparência com as estações
A Cachoeira da Muralha integra o conjunto das Cataratas dos Couros, formado por diferentes quedas d’água, piscinas naturais e mirantes ao longo do rio de mesmo nome.
Cachoeira da Muralha, no Parque Estadual Águas do Paraíso, em Alto Paraíso de Goiás. Foto: Natur Ecoturismo
O que distingue a Muralha é a extensão horizontal de sua formação rochosa. Em vez de uma queda estreita, concentrada em um único ponto, o visitante encontra um paredão por onde a água se distribui, especialmente nos meses de maior vazão.
Segundo a administração do Parque Estadual Águas do Paraíso, a temporada chuvosa, normalmente de novembro a março, é quando o volume de água pode preencher toda a extensão da muralha. Já na estiagem, o fluxo diminui, revelando melhor o relevo das pedras.
Cachoeira da Muralha, no Parque Estadual Águas do Paraíso, em Alto Paraíso de Goiás. Foto: TripAdvisor
A diferença também modifica a experiência de visitação. Entre maio e outubro, quando o rio costuma apresentar águas mais tranquilas, as condições podem favorecer os pontos autorizados para banho. Na época das chuvas, a força da correnteza pode tornar essas áreas inadequadas para entrar na água.
Por isso, o espetáculo da Muralha não depende necessariamente de um mergulho. A própria paisagem, com a água descendo pelo paredão e o Cerrado ao redor, já é um dos principais atrativos do passeio.
O que encontrar no Parque Estadual Águas do Paraíso
A Cachoeira da Muralha é uma das primeiras atrações encontradas por quem escolhe a trilha que acompanha as margens do Rio dos Couros. A partir da área de acesso, são aproximadamente 500 metros de caminhada, incluindo uma descida por um caminho demarcado.
Rio dos Couros. Foto: Governo de Estado
Quem continua pelo percurso encontra outros cenários. As chamadas Prainhas são trechos do rio onde se formam pequenas piscinas naturais. Mais adiante estão a Cachoeira São Vicente, conhecida pela extensa superfície rochosa, e a Cachoeira do Parafuso, formada pelo estreitamento do curso d’água antes de uma queda.
O complexo também abriga as Cataratas dos Couros, com uma sequência de quedas que totaliza aproximadamente 70 metros de desnível. Nesse trecho, a atração é a contemplação a partir dos mirantes, e não o banho.

O parque oferece ainda uma alternativa de caminhada por áreas de Cerrado nativo, com vistas para formações rochosas e para o vale do rio. A diversidade de paisagens permite transformar a visita em um passeio mais longo, desde que o roteiro seja compatível com as condições físicas do grupo e as orientações do condutor.
Para quem deseja conhecer outras paisagens da região, o Curta Mais também já apresentou as Cataratas dos Couros e seus diferentes atrativos naturais.
Como chegar
O acesso é feito a partir de Alto Paraíso, um dos principais destinos turísticos da Chapada dos Veadeiros.
Segundo as orientações do Parque Estadual Águas do Paraíso, o motorista deve seguir pela GO-118, no sentido de São João d’Aliança, por aproximadamente 18 quilômetros a partir do pórtico de Alto Paraíso. Depois, é necessário entrar na GO-575 e percorrer cerca de 20 quilômetros por estrada não pavimentada até a entrada da unidade.
Parque Estadual Águas do Paraíso, em Alto Paraíso. Foto: Natur
As condições desse trecho podem variar com as chuvas. Por isso, vale confirmar a situação da estrada antes de sair, especialmente nos meses em que o rio apresenta maior volume.
A administração do parque informa que não há cobrança de ingresso para acessar a unidade. Entretanto, a visita deve ocorrer em grupos de no máximo seis pessoas, obrigatoriamente acompanhados por um condutor local.
Essa exigência merece atenção no planejamento, principalmente para quem pretende fazer a viagem por conta própria. A gratuidade da entrada não significa que o serviço de condução também seja gratuito.
Além das paisagens, o passeio também permite conhecer uma área importante para a conservação do Cerrado. Criado em 2020, o Parque Estadual Águas do Paraíso protege aproximadamente 5.682 hectares e abriga espécies como o veado-campeiro, a seriema e o raro pato-mergulhão.
O próprio nome do Rio dos Couros guarda uma curiosidade histórica. Segundo relatos de moradores registrados pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad), ele teria surgido porque bandeirantes utilizavam suas águas para lavar couros de veados abatidos durante a passagem pela região.
Vale a pena visitar durante as chuvas?
Depende do objetivo do passeio. Quem procura fotografar uma grande extensão de água descendo pelas pedras pode encontrar, no período chuvoso, a paisagem que tornou a o local conhecido.
Já quem prefere entrar nas piscinas naturais deve considerar que o volume elevado do rio pode restringir o banho. As condições de segurança precisam ser avaliadas no dia da visita, com orientação do condutor e respeito às áreas permitidas.
O guia de serviços do parque recomenda aproveitar a temporada de chuvas principalmente para contemplação e fotografia, enquanto o período seco costuma oferecer melhores condições para atividades aquáticas.
Cachoeira da Muralha, no Parque Estadual Águas do Paraíso, em Alto Paraíso de Goiás. Foto: Adilson Itacaramby
Com aparência diferente a cada estação, a Cachoeira da Muralha mostra como um mesmo lugar pode proporcionar experiências distintas ao longo do ano. Em meio aos paredões de pedra e à vegetação do Cerrado, o Rio dos Couros é o responsável por transformar a paisagem.
Serviço
Local: Cachoeira da Muralha, Parque Estadual Águas do Paraíso, Alto Paraíso de Goiás (GO).
Horário: diariamente, das 8h às 17h, com entrada até as 15h.
Regras: visita obrigatória com condutor local, em grupos de até seis pessoas. Não são permitidos animais domésticos, acampamentos ou saltos dos paredões.
Acesso: pela GO-118 e GO-575, com trecho final em estrada de terra.
Entrada: gratuita.
Visitação: grupos de até seis pessoas, com acompanhamento obrigatório de condutor local.
Melhor período para observar a muralha com maior volume de água: normalmente entre novembro e março, dependendo das chuvas.
Informações oficiais: Parque Estadual Águas do Paraíso.
Fonte oficial: Parque Estadual Águas do Paraíso — Semad Goiás.


