O Estádio Serra Dourada, em Goiânia, passa pela maior intervenção de sua história sem deixar de lado a arquitetura projetada por Paulo Mendes da Rocha. O projeto de modernização do Complexo Serra Dourada mantém como referência a estrutura brutalista original, enquanto acrescenta espaços de conforto, acessibilidade, segurança, esporte e convivência.
As obras começaram em 2026 e a primeira grande etapa tem previsão de conclusão para 2028. A proposta é atualizar o complexo sem descaracterizar os elementos que fizeram do Serra Dourada um dos principais exemplares da arquitetura moderna brasileira.
O estádio foi projetado por Paulo Mendes da Rocha, um dos principais nomes da arquitetura brasileira e vencedor do Prêmio Pritzker, considerado um dos mais importantes reconhecimentos da arquitetura mundial. O concreto aparente, os grandes vãos e as formas estruturais expostas continuam como características centrais do projeto.
Arquitetura original será preservada
A modernização é conduzida pela BCMF Arquitetos, escritório que também participou de grandes projetos esportivos no Brasil, incluindo a modernização do Mineirão para a Copa do Mundo de 2014.
A proposta parte da preservação da linguagem arquitetônica criada por Paulo Mendes da Rocha. Em vez de substituir o desenho original, as novas estruturas serão incorporadas aos espaços existentes ou instaladas de maneira anexa.
Entre os elementos que serão preservados estão a grande cobertura em balanço, as arquibancadas superiores e os vãos livres que ajudam a definir a aparência do estádio. A ideia é manter visível a estrutura de concreto aparente que caracteriza o Serra Dourada.
O arquiteto Bruno Campos explica que a intervenção busca manter o estádio em funcionamento sem apagar as características de seu projeto original.
“Entendemos que o maior compromisso com um patrimônio dessa relevância é assegurar que continue vivo e funcional. Nosso papel é reconhecer a inteligência do desenho original do artista e garantir que ela continue plenamente legível”, destaca Bruno Campos.
O conceito de brutalismo, presente no Serra Dourada, utiliza o concreto armado aparente, formas geométricas marcadas e pouca ornamentação. Nesse tipo de arquitetura, a própria estrutura e os materiais utilizados no edifício assumem papel central na composição visual.
Novos espaços serão incorporados ao estádio
A modernização também prevê novas áreas de hospitalidade, incluindo camarotes e espaços destinados ao público, inseridos de maneira a não competir visualmente com a estrutura existente.
Antes das intervenções, a equipe de engenharia realizou levantamentos, diagnósticos e modelagens para identificar as condições da estrutura e orientar as soluções da obra.
Segundo Diogo Bertarini, superintendente de operações do complexo, esse trabalho foi necessário para orientar as intervenções sem comprometer as características arquitetônicas do estádio.
“Isso permite que as soluções preservem as superfícies de concreto aparente que fazem parte da identidade do Serra Dourada”, afirma.
A preocupação com a preservação acompanha o processo de modernização que já está em andamento. As primeiras etapas das obras incluem intervenções na infraestrutura e adequações em diferentes áreas do complexo.
Entorno terá parque de 16 mil m²
A transformação não ficará restrita ao interior do estádio. Parte das áreas atualmente ocupadas por asfalto no entorno será convertida em espaços destinados ao esporte, lazer e circulação.
O projeto prevê um Parque Poliesportivo de 16 mil m², além de um parque linear com pista de corrida e ciclovia. O paisagismo será voltado para espécies nativas do Cerrado, aproximando o espaço da vegetação característica de Goiás.
A identidade do bioma também aparece na escolha das cores. Os tons associados ao ipê-amarelo e à paisagem dourada do Cerrado serão utilizados nas novas cadeiras e na ambientação de áreas internas.
A proposta cria um contraste entre a vegetação do entorno e o concreto aparente do estádio, mantendo a arquitetura brutalista como um dos principais elementos visuais do complexo.
Serra Dourada será integrado a novas áreas de uso
A modernização transforma a área em um complexo voltado não apenas ao futebol. O Complexo Serra Dourada reúne o estádio histórico, o Ginásio Valério Luiz de Oliveira e novas áreas de convivência.
A proposta é ampliar a utilização do espaço ao longo do ano, com estrutura para eventos esportivos, shows, feiras de negócios, gastronomia, cultura e lazer.
O projeto faz parte de uma concessão para modernização, gestão, operação e manutenção do complexo. O modelo prevê investimentos privados e uma gestão de longo prazo do espaço.
Com as mudanças, o Serra Dourada passa por uma transformação que pretende atualizar sua infraestrutura sem apagar uma das características que mais ajudam a identificá-lo: a arquitetura de Paulo Mendes da Rocha.
A combinação entre concreto aparente, grandes estruturas, paisagismo do Cerrado e novos espaços de esporte e convivência deve marcar a próxima fase do complexo em Goiânia.

