Presidente Lula (Foto: Ricardo Stuckert)
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, colocou o combate às casas de apostas entre os temas de sua campanha. Durante ato realizado em Guarulhos, na Grande São Paulo, Lula afirmou de forma direta que pretende encerrar a atuação das bets no país. “Se depender da minha vontade pessoal, eu vou acabar com as bets neste país”, declarou. O presidente classificou o crescimento das apostas on-line como um problema social e de saúde pública.
Lula afirmou que sua preocupação está especialmente nos efeitos das apostas sobre famílias de baixa renda e pessoas que desenvolveram comportamento compulsivo. Durante o discurso, relatou casos de pessoas que venderam bens, esconderam dívidas da família e chegaram a situações extremas após perdas com jogos. “Essa jogatina de internet não é jogo de aposta, é um vício. É uma doença chamada ludopatia”, disse. Ele também afirmou que a eventual perda de arrecadação não deveria prevalecer sobre os impactos sociais: “O governo não está preocupado em perder imposto. O que a gente não pode perder é a vida dos pobres jogando.”
A preocupação com os efeitos das apostas não se limita ao debate político. O Ministério da Saúde reconhece o transtorno do jogo como um transtorno de comportamento aditivo e alerta que o uso problemático das plataformas pode produzir prejuízos financeiros, familiares, profissionais e emocionais, além de estar associado a ansiedade, depressão, culpa e isolamento social. Em julho, o governo lançou uma campanha nacional de prevenção aos danos das apostas on-line e, em agosto, passou a oferecer pelo SUS até 100 mil teleatendimentos mensais voltados a apostadores e familiares.
O discurso de Lula também foi uma resposta direta ao futebol brasileiro. Um dia antes, clubes e federações divulgaram um manifesto defendendo a manutenção do mercado regulamentado de apostas. A reação ocorreu diante da possibilidade de o governo editar uma Medida Provisória para proibir cassinos on-line e endurecer as regras para as apostas esportivas. Entre os participantes da mobilização estavam federações estaduais e clubes como Flamengo, Palmeiras, Santos, São Paulo, Botafogo, Fluminense, Vasco e Cruzeiro. No futebol goiano: Atlético e Vila Nova.
No documento, as entidades reconhecem os problemas sociais relacionados ao crescimento das apostas, mas defendem que a resposta seja o fortalecimento da regulamentação, da fiscalização, da educação e das políticas de prevenção, e não simplesmente a retirada das empresas legalizadas do mercado. O manifesto sustenta que “o investimento das empresas de apostas autorizadas tornou-se uma das principais fontes de receita do esporte” e afirma que o dinheiro chega também a clubes menores, divisões inferiores, futebol feminino, categorias de base e projetos sociais.
Os clubes argumentam ainda que uma retirada abrupta desse dinheiro poderia provocar um forte desequilíbrio financeiro. Segundo informações divulgadas na cobertura da mobilização, 13 clubes da Série A possuem atualmente casas de apostas como patrocinadoras máster, e o impacto estimado somente nessa linha de receita se aproxima de R$ 1 bilhão. Além do espaço principal das camisas, empresas do setor ocupam placas em estádios, propriedades digitais, transmissões e diferentes espaços comerciais ligados ao futebol.
Lula rebateu o argumento de que uma eventual proibição colocaria em risco a existência do futebol brasileiro. O presidente lembrou que São Paulo, Santos, Flamengo, Corinthians, Grêmio e Internacional conquistaram títulos internacionais antes da expansão das casas de apostas no país. “Esse negócio de que se acabar com as bets vai acabar com o futebol é uma balela”, afirmou. Lula também disse que pretende chamar os clubes para conversar sobre o assunto.
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