Catalão chega à reta final da eleição presidencial entre polarização nacional e força regional

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A poucos dias do primeiro turno das eleições de 2026, Catalão chega às urnas inserida em um cenário presidencial marcado pela polarização nacional entre Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro, mas com uma particularidade: a presença de Ronaldo Caiado, ex-governador de Goiás e candidato à Presidência da República, que conta com uma estrutura política regional organizada no município.

O histórico eleitoral recente demonstra que Catalão não apresenta um comportamento presidencial rigidamente vinculado a apenas um campo político.

Em 2022, Lula venceu o primeiro turno no município com 27.130 votos, correspondentes a 48,74% dos votos válidos. Jair Bolsonaro recebeu 24.380 votos, ou 43,80%.

No segundo turno, porém, o cenário se inverteu. Bolsonaro obteve 28.789 votos, enquanto Lula registrou 28.698, uma diferença de apenas 91 votos em favor do então presidente.

O resultado evidencia o equilíbrio do eleitorado catalano e ajuda a compreender a complexidade da disputa atual. O município possui uma parcela expressiva de eleitores identificados com o campo conservador, mas também mantém uma base relevante de apoio a Lula.

Em 2026, contudo, uma terceira força passou a integrar esse cenário com maior intensidade: Ronaldo Caiado disputa a Presidência da República e, em Goiás, conta com uma presença política diferente daquela observada no cenário nacional.

A candidatura do ex-governador Ronaldo Caiado também ganhou espaço em Catalão por meio do grupo político liderado pelo prefeito Velomar Rios. O prefeito declarou apoio a Caiado e participa de uma articulação que reúne ainda Daniel Vilela na disputa pelo Governo de Goiás, Jamil Calife para deputado estadual e José Nelto para deputado federal, entre outros nomes.

A força dessa estrutura ficou evidenciada na última semana, quando Caiado participou de uma carreata pelas ruas de Catalão ao lado de Daniel Vilela, Velomar Rios, Jamil Calife e outras lideranças políticas.

O movimento demonstra que a candidatura presidencial de Caiado possui uma organização local que precisa ser considerada na leitura do cenário eleitoral de Catalão, independentemente de seu desempenho nas pesquisas de abrangência nacional.

O peso do voto útil

Um dos fatores que podem alterar o quadro nos últimos dias de campanha é o chamado voto útil.

Com a aproximação do primeiro turno e a concentração da disputa nacional entre Lula e Flávio Bolsonaro, parte do eleitorado pode optar por candidaturas consideradas mais competitivas, reduzindo o espaço destinado aos demais concorrentes.

Esse movimento pode afetar diretamente Caiado.

O eleitor goiano que apoia o ex-governador terá de decidir entre manter o voto em uma candidatura regionalmente identificada com Goiás ou optar por um dos nomes que disputam a liderança nacional, considerando a possibilidade de influenciar a composição do segundo turno.

Em Catalão, essa decisão ganha relevância diante do equilíbrio demonstrado nas eleições de 2022.

Até o momento, não há pesquisa pública suficientemente consolidada para determinar com segurança qual dos três candidatos lidera a corrida presidencial especificamente entre os eleitores catalanos. Por isso, qualquer afirmação sobre uma eventual liderança local de Lula, Flávio Bolsonaro ou Caiado deve ser tratada com cautela.

O histórico das urnas, entretanto, permite identificar algumas características do eleitorado.

A diferença de apenas 91 votos entre Lula e Bolsonaro no segundo turno de 2022 mostra a capacidade de mudança do eleitor catalano entre as diferentes etapas da eleição. Naquela disputa, parte dos votos destinados no primeiro turno a outros candidatos migrou para os dois nomes que avançaram ao confronto final.

Em 2026, Caiado pode desempenhar papel relevante no primeiro turno, com uma característica adicional: sua trajetória política está diretamente associada a Goiás.

Um eleitorado de múltiplas escolhas

A composição econômica e social de Catalão também contribui para a diversidade política do município.

Com forte presença industrial, mineradora e agropecuária, além de universidades, funcionalismo público, setor de serviços e diferentes segmentos da classe trabalhadora, a cidade reúne grupos com perfis eleitorais distintos.

Essa diversidade dificulta classificações simplificadas do município como predominantemente de direita ou de esquerda.

O eleitor catalano também demonstra capacidade de separar suas escolhas conforme o cargo em disputa. Um mesmo eleitor pode apoiar um candidato para governador ou deputado e optar por outro nome na eleição presidencial.

Da mesma forma, o apoio declarado de prefeitos, vereadores e demais lideranças locais não significa, necessariamente, transferência integral de votos para uma candidatura presidencial.

Nas eleições nacionais, fatores como debates, redes sociais, exposição dos candidatos, situação econômica, temas nacionais e índices de rejeição tendem a ganhar peso crescente, reduzindo a influência exclusiva das lideranças municipais.

É nesse contexto que Catalão vive, simultaneamente, duas dimensões da disputa presidencial.

De um lado, está a campanha local, marcada pela presença de Caiado e pelo apoio de importantes lideranças políticas do município. De outro, está a disputa nacional, cada vez mais concentrada entre Lula e Flávio Bolsonaro.

Três forças em disputa

Para Caiado, o desempenho em Catalão será um indicativo da capacidade de sua candidatura de preservar força política regional diante da polarização nacional.

Para Flávio Bolsonaro, o município representa uma base eleitoral relevante do campo conservador, que demonstrou força em 2022 com a vitória de Jair Bolsonaro no segundo turno.

Lula, por sua vez, também possui uma base consolidada na cidade. O presidente venceu o primeiro turno de 2022 em Catalão e terminou o segundo turno praticamente empatado com Bolsonaro.

O resultado deste domingo, portanto, poderá oferecer um retrato da dimensão atual de três forças políticas no município: o lulismo, o bolsonarismo representado por Flávio Bolsonaro e o caiadismo como expressão política regional.

Se Caiado alcançar uma votação expressiva, o resultado poderá indicar a manutenção de uma influência regional capaz de disputar espaço com os dois principais polos nacionais. Caso Lula e Flávio Bolsonaro concentrem a maior parte dos votos, o resultado poderá demonstrar a força da nacionalização da eleição presidencial sobre o eleitorado local.

Catalão chega ao primeiro turno, portanto, sem um cenário facilmente mensurável apenas a partir do histórico eleitoral.

O município que, em 2022, terminou a disputa presidencial separado por apenas 91 votos volta às urnas com um cenário diferente: dois polos nacionais já consolidados e uma candidatura goiana tentando ocupar espaço entre eles.

Mais do que definir a preferência presidencial dos catalanos, o resultado poderá mostrar o peso atual das forças nacionais e regionais no município e até que ponto a estrutura política local consegue influenciar uma eleição cada vez mais marcada pela polarização nacional.

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