Abstenção no 2º turno foi a menor em eleição presidencial desde 2006

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O segundo turno das eleições presidenciais de 2026 registrou um marco histórico no comportamento do eleitorado brasileiro. Segundo dados oficiais divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com 100% das urnas apuradas, a taxa de abstenção caiu para 19,22%, o equivalente a 30.509.005 eleitores ausentes, o menor número desde 2006.

O resultado representa um encolhimento de 1,86 ponto percentual em relação ao primeiro turno, quando 21,08% do eleitorado (33,46 milhões de pessoas) não compareceram. Essa é a maior queda de abstenção entre turnos já registrada na história democrática do Brasil desde a redemocratização.

Menor taxa de ausência desde 2006

A redução na ausência dos eleitores contraria a tendência histórica das disputas presidenciais no país. Nas sete eleições anteriores a 2026 com segundo turno, a abstenção havia aumentado entre as duas fases da votação em seis ocasiões. A única exceção aconteceu em 2022, quando o índice recuou apenas 0,36 ponto percentual, de 20,95% para 20,58%.

Em termos absolutos e percentuais, os 19,22% registrados em 2026 representam a menor abstenção em uma eleição presidencial desde 2006, quando o indicador marcou 18,99% no segundo turno. Na história das eleições diretas pós-ditadura, a menor marca permanece sendo a da eleição de 1989, que anotou 14,39% de ausências na etapa final.

Ao todo, de um eleitorado apto de 158.745.502 brasileiros, 128.236.074 compareceram às urnas no segundo turno de 2026, consolidando uma taxa de participação de 80,78%. No primeiro turno, o comparativo marcava 78,92% de presença.

Brancos e nulos atingem mínima histórica no 2º turno

Além do aumento no comparecimento, o eleitorado demonstrou maior disposição em escolher diretamente um candidato. A proporção combinada de votos brancos e nulos caiu para 3,24% dos votos totais (4.153.801 votos). Trata-se do menor patamar de votos inválidos em segundos turnos presidenciais desde a redemocratização.

A evolução dos votos inválidos entre o 1º e 2º turno de 2026 aconteceu da seguinte forma:

  • Votos em Branco: caíram de 1,84% (2.300.798 votos) no 1º turno para 1,12% (1.430.496 votos) no 2º turno.
  • Votos Nulos: recuaram de 2,93% (3.674.249 votos) para 2,12% (2.723.305 votos).
  • Votos Válidos: saltaram de 95,23% para 96,76% do total de votos depositados.

Na apuração final do segundo turno, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito com 64.256.232 votos (51,79%), enquanto o senador Flávio Bolsonaro (PL) somou 59.826.041 votos (48,21%).

Mobilização dos eleitores e cenário regional

A queda expressiva da abstenção ocorreu em um cenário político marcado pela forte engajamento das campanhas. A candidatura petista priorizou o resgate do eleitorado ausente na primeira etapa e incentivou o apoio no transporte e acompanhamento de eleitores idosos aos locais de votação.

Chama atenção o fato de a participação ter crescido no país inteiro mesmo com escassas disputas estaduais de segundo turno. Apurações para governador no segundo turno ocorreram em apenas cinco estados: Acre, Amazonas, Espírito Santo, Rio Grande do Norte e Tocantins, além do Distrito Federal.

Histórico de abstenção em 2º turno no Brasil

O balanço estatístico do Tribunal Superior Eleitoral destaca a trajetória da abstenção e da invalidade dos votos no segundo turno das últimas duas décadas:

Ano Eleitoral Taxa de Abstenção (%) Votos Brancos (%) Votos Nulos (%) Total de Votos Inválidos (%)
2002 20,47% 1,88% 4,11% 6,00%
2006 18,99% 1,33% 4,71% 6,04%
2010 21,50% 2,30% 4,40% 6,70%
2014 21,10% 1,76% 4,58% 6,34%
2018 21,30% 2,15% 7,43% 9,57%
2022 20,59% 1,43% 3,16% 4,59%
2026 19,22% 1,12% 2,12% 3,24%
Fonte: TSE

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