Filme goiano aclamado no Festival de Brasília terá sessão gratuita em Goiânia – Curta Mais

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O longa-metragem “Pequenas Tragédias”, do cineasta goiano Daniel Nolasco, terá uma sessão gratuita em Goiânia neste domingo (20), às 18h30, no Cine Cultura, na Praça Cívica. A exibição acontece poucos dias depois da estreia mundial do filme no 59º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, onde integra a Mostra Competitiva Nacional.

A sessão na capital será a primeira exibição do novo trabalho de Nolasco em Goiás depois da estreia em Brasília. Após o filme, haverá uma roda de conversa com o diretor, ampliando a programação para além da exibição. A classificação indicativa é de 18 anos.

Com 119 minutos de duração, “Pequenas Tragédias” mistura elementos documentais e ficcionais para voltar o olhar para Catalão, cidade natal de Daniel Nolasco, e para as experiências de pessoas LGBTQIA+ que cresceram ou viveram na cidade.

Filme parte de memórias de Catalão

A história começa em 2011, quando Daniel deixa Catalão para estudar cinema no Rio de Janeiro. Ele é o primeiro de um grupo de amigos queer a sair da cidade. Dez anos depois, nenhum dos integrantes daquele grupo continua morando ali.

Esse deslocamento serve como ponto de partida para uma narrativa que combina memória, humor, ficção e documentário. Catalão deixa de ser apenas o cenário da história e passa a ocupar um lugar central no filme, que observa tanto as pessoas que partiram quanto aquelas que permaneceram.

A proposta também parte de uma experiência pessoal do diretor. Em 2019, Nolasco passou quatro meses em Catalão durante as filmagens de “Vento Seco” e reencontrou uma cidade diferente daquela que havia deixado anos antes.

Ao procurar antigos amigos e integrantes de seu círculo LGBTQIA+, percebeu que muitos haviam se mudado. A partir dessa experiência, começou a investigar os motivos que levaram aquelas pessoas a deixar a cidade e como esse deslocamento se relacionava com suas vivências.

Em entrevista repercutida após a estreia, Nolasco explicou que o filme não pretende ser apenas um retrato autobiográfico, mas uma história sobre a própria cidade e sobre uma geração que deixou Catalão.

Humor e experiências queer estão no centro da narrativa

“Pequenas Tragédias” combina situações trágicas, reflexões e humor sarcástico para abordar diferentes experiências queer ligadas ao interior de Goiás.

A linguagem híbrida chamou atenção durante a estreia no Festival de Brasília. A Revista de Cinema destacou a inventividade e o humor corrosivo do longa, além da mistura entre documentário e ficção.

A crítica também observou como o filme utiliza diferentes recursos para falar sobre memória, pertencimento, violência e experiências LGBTQIA+ sem se limitar a uma narrativa documental tradicional.

O Cineweb classificou a produção como um híbrido de ficção e documentário, com recursos ficcionais utilizados para abordar histórias reais e comentários marcados pelo humor sarcástico.

No Jornal Opção, a crítica de Pedro Lima de Andrade destacou a relação entre as memórias do diretor, o humor e as situações vividas pelos personagens em Catalão.

Longa disputa o Troféu Candango

A estreia de “Pequenas Tragédias” aconteceu no último domingo (13), dentro da Mostra Competitiva Nacional do 59º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. O longa disputa o Troféu Candango, principal premiação do festival.

A repercussão da produção começou ainda nos primeiros dias após a sessão. Além da Revista de Cinema e do Jornal Opção, veículos especializados em cinema também publicaram críticas sobre o filme.

No Estadão, o crítico Luiz Zanin classificou sua análise como “A força do cinema queer” e destacou a estrutura do longa e a maneira como ele aborda a experiência de pessoas gays em uma cidade do interior.

Na Revista de Cinema, Maria do Rosário Caetano chamou atenção para a inventividade, o humor e a combinação entre uma abordagem documental e uma construção ficcional.

O site Meio Amargo também publicou uma análise do filme, destacando a maneira como a produção trabalha traumas, violência e memória sem recorrer à representação explícita de agressões.

Daniel Nolasco tem trajetória no cinema goiano

“Pequenas Tragédias” é o mais recente longa de uma filmografia que tem Catalão e diferentes experiências LGBTQIA+ como elementos recorrentes.

Nolasco deixou a cidade em 2011 para estudar no Rio de Janeiro. Ele é formado em Cinema e Audiovisual pela Universidade Federal Fluminense (UFF) e em História pela Universidade Federal de Goiás (UFG) de Catalão, atual UFCAT.

Seu primeiro longa, o documentário “Paulistas”, estreou em 2017 no Dok Leipzig. Depois vieram “Mr. Leather” e “Vento Seco”, este último exibido na Mostra Panorama do Festival de Berlim em 2020. Mais recentemente, o diretor lançou “Apenas Coisas Boas”, também ambientado na região de Catalão.

Antes da estreia mundial em Brasília, “Pequenas Tragédias” passou pelo Conexão Brasil CineMundi 2026, realizado durante a Mostra de Cinema de Tiradentes, ainda em fase de finalização. O projeto também recebeu o Prêmio Málaga WIP e, em março de 2026, venceu o principal Prêmio Málaga WIP Iberoamérica, realizado na Espanha.

A produção é assinada por Daniel Nolasco e Cecília Brito, sócios na Rensga Filmes. A coprodução é da goianiense Bebop Filmes e da alemã Welt Film, enquanto a distribuição fica a cargo da Embaúba Filmes.

SERVIÇO

Exibição do filme “Pequenas Tragédias”
Data: 20 de setembro de 2026, domingo
Horário: 18h30
Local: Cine Cultura, Praça Cívica, Goiânia/GO
Entrada: gratuita
Classificação: 18 anos
Após a sessão: roda de conversa com o diretor Daniel Nolasco
Duração: 119 minutos

Ficha técnica
Direção e roteiro: Daniel Nolasco
Produção: Cecília Brito e Daniel Nolasco
Produtora: Rensga Filmes
Coprodutoras: Bebop Filmes e Welt Film
Direção de fotografia: Felipe Quintelas
Montagem: Luciano Carneiro
Assistente de montagem e finalização: Luciano Evangelista
Direção de arte: Roberta Brasil
Elenco: Guilherme Théo, Geovaldo Souza, Lucas Drummond, Aivan, Marcelo Camargo, Ronaldo Martins, Karvalio, Serge Bear, João Bennett, Cecília Brito, Dudu Soares, Álvaro Sobral, Del Neto, Felipe Oliveira e Helder Amorim

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