Misturar cerveja, vinho e destilados piora a ressaca? Entenda – Curta Mais

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“Não mistura, senão a ressaca vem pior.”

A frase provavelmente já apareceu em alguma mesa de bar. Afinal, misturar cerveja, vinho e destilados ganhou fama de ser uma das principais causas daquela dor de cabeça do dia seguinte.

Mas será que a ordem ou a combinação das bebidas realmente determina o tamanho da ressaca?

Não exatamente.

O principal fator continua sendo a quantidade de álcool ingerida. O organismo não trata o etanol de uma bebida de maneira completamente diferente do etanol presente em outra. Portanto, beber diferentes tipos de bebida na mesma noite não significa, por si só, que a ressaca será mais forte.

No entanto, existe um detalhe que ajuda a explicar por que algumas bebidas podem deixar o dia seguinte mais difícil.

O que realmente influencia a ressaca

A quantidade de álcool consumida pesa bastante nessa conta. Além disso, a velocidade com que a pessoa bebe também importa.

Quanto mais álcool chega ao organismo em pouco tempo, maior tende a ser a concentração de álcool no sangue. Consequentemente, aumentam também os efeitos provocados pela bebida.

Por isso, aquela sequência de cerveja, vinho e destilado pode dar a impressão de que a mistura provocou a ressaca. Na prática, muitas vezes o problema está no total consumido durante a noite.

Existe ainda outro componente nessa história: os congêneres.

Essas substâncias aparecem como subprodutos dos processos de fermentação e destilação. Algumas bebidas apresentam concentrações maiores do que outras.

Bebidas escuras podem pesar mais

Os congêneres ajudam a explicar por que determinados tipos de bebida podem estar associados a ressacas mais intensas.

Bebidas de coloração mais escura costumam apresentar mais desses compostos. Já algumas bebidas destiladas e translúcidas apresentam quantidades menores.

O material que serve de base para esta explicação cita uma diferença bastante expressiva entre vodka e bourbon. Segundo a referência, a vodka apresenta muito menos congêneres do que o tradicional uísque americano de coloração caramelo.

Isso não significa, porém, que uma bebida clara esteja liberada para consumo sem limites. A quantidade de etanol continua sendo o fator central.

Em outras palavras, trocar uma bebida por outra não elimina os efeitos do álcool.

Então posso misturar sem preocupação?

Também não é bem assim.

O fato de misturar bebidas não ser, por si só, o principal responsável pela ressaca não significa que a combinação seja inofensiva.

O problema aparece quando a mistura facilita o consumo de uma quantidade maior de álcool.

Imagine começar a noite com cerveja, passar para drinks e terminar com uma dose de destilado. É fácil perder a noção de quanto álcool foi consumido no total.

Além disso, diferentes bebidas apresentam diferentes concentrações alcoólicas. Por isso, contar apenas o número de copos pode ser enganoso.

A melhor referência está na quantidade de álcool consumida e no ritmo da ingestão.

E beber de canudinho? Dá mais efeito?

Outro mito bastante conhecido diz que beber álcool de canudinho faz a pessoa ficar bêbada mais rapidamente.

O canudo, por si só, não acelera a absorção do álcool.

O que pode acontecer é a pessoa beber uma quantidade maior ou mais rapidamente usando o acessório. Nesse caso, o ritmo do consumo muda. E é justamente esse fator que pode alterar a velocidade com que o álcool chega ao organismo.

ressaca

Portanto, o problema não está no canudo. Está no quanto e na velocidade com que se bebe.

Álcool esquenta o corpo?

Essa também é uma pegadinha bastante conhecida.

Depois de tomar uma bebida alcoólica, é comum sentir o corpo mais quente. O rosto pode ficar avermelhado e a sensação de calor aparece rapidamente.

Só que essa sensação não significa que o corpo esteja realmente ganhando calor.

O álcool provoca dilatação dos vasos sanguíneos próximos à superfície da pele. Com mais sangue circulando nessa região, os sensores responsáveis pela percepção de temperatura recebem uma espécie de sinal de calor.

Enquanto isso, o organismo pode perder calor para o ambiente.

A transpiração também contribui para esse processo. Quando o suor evapora, o corpo libera calor.

Por isso, usar bebida alcoólica como estratégia para se aquecer não funciona.

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A velha regra da moderação continua valendo

No fim das contas, a explicação é menos misteriosa do que a sabedoria popular costuma sugerir.

Misturar bebidas não cria uma espécie diferente de álcool dentro do organismo. O etanol continua sendo etanol.

A diferença está principalmente na quantidade ingerida, no ritmo do consumo e, em alguns casos, nos congêneres presentes na bebida.

Por isso, aquela história de que “cerveja depois de destilado acaba com a pessoa” não explica sozinha a ressaca do dia seguinte.

Mais importante do que a ordem das bebidas é prestar atenção ao consumo total.

E, se a noite começa com uma bebida e termina com outra, vale lembrar: o organismo não acompanha a brincadeira pela cor ou pelo nome do copo. Ele precisa lidar com o álcool que entrou no corpo.

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