Mineração alavanca economia em Goiás, mas especialistas alertam para risco de dependência no “pós-mina”

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O governador Daniel Vilela esteve presente destacando o papel do estado nas discussões. Foto: Reprodução/Ricardo Lima

O crescimento impulsionado pela atividade mineral em Goiás traz expressivos avanços econômicos, mas impõe um desafio decisivo aos municípios: preparar a estrutura local para o momento em que as jazidas se esgotarem. O dilema foi o centro dos debates do Goiás Mineral, evento realizado pelo Sindicato da Indústria da Mineração do Estado de Goiás e Distrito Federal (Minde), nesta quarta-feira (23).

Durante o encontro, o Instituto Mauro Borges de Economia e Estatística (IMB) apresentou a pesquisa “Goiás em Dados – A Influência da Mineração no Estado”. O levantamento analisou mais de 80 indicadores usando métodos de análise causal para comparar cidades mineradoras com localidades de perfil semelhante sem a atividade. Os dados revelam um salto de aproximadamente 32% no Produto Interno Bruto (PIB) e um incremento de cerca de 30% na arrecadação de impostos nos municípios mineradores, além de aumento expressivo nos vínculos formais de emprego.

O estudo também indicou expansão populacional média de 6%, queda de 9% na necessidade de programas sociais e redução de quase 4% na desigualdade de renda. Avaliando essas transformações, o diretor executivo do IMB, Erik Figueiredo, destacou o alcance social dos números. “A dinâmica econômica, salário mais alto, salário mais baixo, altera a forma que nós vivemos”.

Sinais de alerta

Apesar dos ganhos econômicos e de uma expressiva queda de 54% nas notificações de violência doméstica, a pesquisa apontou pontos de atenção na infraestrutura pública e na equidade social. Não foram verificadas melhorias significativas no desempenho escolar dos alunos, tampouco aumento proporcional de médicos, enfermeiros e dentistas para acompanhar o fluxo populacional. Além disso, o crescimento da remuneração masculina ampliou a diferença salarial entre homens e mulheres.

Outro gargalo crítico é a alta concentração da economia em torno da extração mineral, sem efeito estatisticamente significativo sobre a indústria não extrativa. Segundo o diretor do IMB, o setor traz resultados valiosos, mas exige planejamento antecipado dos gestores públicos. “Quando ela sair, você precisa ter algo pra ocupar o espaço dela”, destacou Figueiredo. E completou: “Uma mensagem extremamente positiva para o setor, mas com vários pontos de atenção”.

Planejamento regional e o exemplo das cidades

O presidente do conselho do Minde, Luiz Antônio Vessani, reforçou que o desenvolvimento sustentável das regiões mineradoras depende diretamente da criação de alternativas econômicas enquanto as minas ainda estão em operação. Ele citou realidades distintas no estado, como Catalão, que desenvolveu estrutura mais diversificada, com logística, rede de ensino e indústria, em contraste com a forte dependência vista em Alto Horizonte e os riscos de paralisação enfrentados por Crixás.

Já em municípios como Minaçu e Mara Rosa, a transição envolve novos projetos minerais, como terras raras, e a integração com o setor agrícola e logístico. Vessani reforçou que o planejamento não pode ser isolado nem adiado.“Não basta a mineração. […]Esse tipo de planejamento tem que ser nacional”, pontuou o presidente do Minde.

Governo projeta expansão e foco em terras raras

Presente no evento, o governador de Goiás, Daniel Vilela (MDB), anunciou que o estado busca reestruturar a governança do setor para atrair investimentos e ampliar a produção, focando na demanda internacional por minerais estratégicos. Goiás ocupa atualmente a terceira posição nacional na produção mineral, mas enfrenta a aproximação de estados concorrentes, como a Bahia.

Entre as prioridades estaduais está o projeto Carina, da Aclara Resources, em Nova Roma, apontado como potencial segunda operação comercial de terras raras do estado, somando-se à operação da Serra Verde, em Minaçu. Vilela reforçou a postura do Executivo. “O governo vai fazer todos os esforços necessários para garantir também um desenvolvimento equilibrado da cidade e da região”. “Nós não podemos perder o bonde da história”, finalizou o governador.

Com informações da Minera Brasil*


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