Operação foi lançada na Praça Dom Emanoel. (Foto: Rafael Tomazeti)
O governo de Goiás lançou, na manhã desta quarta-feira (21), a Operação Vis Civitatis, numa resposta à onda de violência que se abateu sobre Anápolis nas últimas duas semanas. Num ato com dezenas de viaturas, helicóptero e integrantes de todas as forças policiais, o governador Daniel Vilela (MDB) autorizou o início da ação que vai mirar, sobretudo, em criminosos faccionados.
De acordo com o governador, a força-tarefa atuará até sábado (24), véspera do segundo turno da eleição, para garantir a ordem pública. A ideia é ampliar a presença policial na cidade depois de uma onda de homicídios nos últimos dias. Como mostrou o DG, foram oito mortes nos últimos dez dias, além de duas tentativas de homicídio.
“Nossas forças de segurança ficarão aqui ao longo dos próximos quatro dias atuando no combate à criminalidade, garantindo a tranquilidade das pessoas e demonstrando que, em Goiás, impera a força do Estado. Aqui nenhuma facção controla um milímetro de terra. Nossas forças de segurança estarão aqui dedicadas a estabelecer toda a tranquilidade”, disse o governador.
Daniel Vilela mencionou que um dos crimes – os assassinatos de Hiago Almeida dos Santos e Ana Carolina Maia, em uma adega da cidade – tem ligação com uma briga de facções. Segundo ele, a operação mira justamente desarticulá-las a partir da prisão de faccionados com mandados em aberto.
“Nós estamos, através da Polícia Civil, solicitando mandados de prisão. Ao mesmo tempo, com a presença aqui de vários batalhões da Polícia Militar fazendo o policiamento ostensivo para poder tranquilizar toda a população anapolina”, reforçou.
O governador negou, porém, que haja faccionados que se desloquem para Goiás na tentativa de se esconder. “Não tem nenhum faccionado vindo para Goiás e nem se escondendo aqui, estão escondidos em outros estados. O que houve aqui em Anápolis foi a execução de dois integrantes, um casal de integrante , uma facção criminosa, por ordem de líderes faccionados que não estão no estado de Goiás. Aqui o faccionado não controla , não se esconde , estão em outros estados, estão lá no Morro do Rio de Janeiro, mas aqui em Goiás não é local para líder de extradição, muito menos para ordem de nenhuma condição para poder determinar o que deve, o que não deve acontecer no nosso estado.”
A operação contará com equipes especializadas da Polícia Militar de Goiás (PMGO) e da Polícia Civil de Goiás (PCGO), que atuarão de forma coordenada em ações de policiamento ostensivo, prevenção e enfrentamento à criminalidade. Entre as medidas previstas estão a localização e a prisão de foragidos da Justiça.
Onda de crimes
O mês de outubro tem sido marcado por uma explosão de casos de violência em Anápolis. Entre o dia 10 de outubro e terça-feira (20) foram registradas oito mortes violentas – uma delas um provável suicídio após um feminicídio.
Hiago Almeida dos Santos, de 25 anos, e Ana Carolina Maia, de 24, foram atingidos por uma série de disparos de arma de fogo. Ele morreu no local, e ela chegou a ser socorrida, mas não resistiu à gravidade dos ferimentos e morreu no hospital.
Na última sexta-feira (16), Joelson Ancelma Pinto, de 27 anos, morreu depois de ser atingido por uma facada no peito, em casa. A esposa dele, Maria Aldaci da Silva, de 45 anos, confessou tê-lo atingido, mas alega que agiu em legítima defesa depois de ser agredida e ameaçada de morte.
Na região Sul da cidade, na quinta-feira (15), um homem foi assassinado a tiros na porta de casa, também por dois homens que chegaram numa motocicleta. André Lima dos Santos tinha 37 anos e trabalhava na construção civil. A família suspeita que o crime tenha sido motivado por vingança.
No dia 10 de outubro, Carlos Leandro Gomes, de 36 anos, e Maria Betânia Melo e Silva, de 44, foram atacados a tiros em um bar da cidade. Neste caso, ainda não houve a prisão de suspeitos, e a polícia não disse com quais linhas de investigação trabalha.
Por fim, na terça-feira (20), José Clemente da Silva, de 75 anos, e Inah Barbosa Costa, de 42, foram encontrados mortos com perfurações por arma de fogo. A suspeita é de que ele tenha cometido feminicídio e, em seguida, se matado.
Além dos seis assassinatos, houve dois crimes de tentativa de homicídio, ambos por esfaqueamento.
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