Goiás tem formações rochosas que parecem de outro planeta. Espalhadas por diferentes regiões do estado, essas paisagens reúnem pedras esculpidas pela água, torres naturais que desafiam a imaginação, labirintos de rocha e cavernas com salões monumentais. Algumas lembram a superfície da Lua; outras parecem ruínas de civilizações antigas ou cenários de filmes de ficção científica.
O mais interessante é que não existe um único tipo de paisagem. Na Chapada dos Veadeiros, a água abriu canais e cavidades na rocha. Em Paraúna, a erosão criou figuras que lembram animais e objetos. No nordeste goiano, as Chaminés de Fada formam torres de pedra com blocos arredondados no topo, enquanto Terra Ronca revela um mundo subterrâneo de dimensões impressionantes.
O Curta Mais selecionou sete destinos para quem deseja conhecer essas paisagens, com informações sobre localização, características e condições de visitação.
1. Vale da Lua — Alto Paraíso de Goiás
Goiás tem formações rochosas impressionantes, que parecem de outro planeta. | Foto: WolrdPackers
O nome não é exagero. O Vale da Lua, na Chapada dos Veadeiros, apresenta uma sequência de cavidades, canais e superfícies rochosas que lembram crateras lunares.
A paisagem foi moldada pela ação das águas do rio São Miguel ao longo de milhares de anos. O resultado é um conjunto de formas arredondadas, fendas e piscinas naturais que contrasta com a vegetação do Cerrado ao redor.
A experiência vai além de observar as pedras. O visitante percorre uma trilha até chegar ao trecho onde a água atravessa as formações. É justamente ali que a paisagem ganha aparência de outro mundo.
Apesar da beleza, o local exige atenção. As rochas podem ser escorregadias, há desníveis e a visitação pode ser interrompida durante chuvas, devido ao risco de aumento repentino do volume de água.
Onde fica: zona rural de Alto Paraíso de Goiás, com acesso pela GO-239, na região de São Jorge.
Como visitar: o atrativo fica em propriedade particular. Confirme ingresso, horário e condições de acesso antes de sair. Em dias de chuva, a visitação pode ser suspensa.
2. Chaminés de Fada — Campos Belos
Chaminés de Fada, em Campos Belos, estão entre as formações geológicas mais surpreendentes de Goiás. | Foto: Lucas Ninno
Imagine pequenas torres de pedra sustentando blocos arredondados no topo, como se alguém tivesse equilibrado rochas gigantes sobre colunas estreitas.
É essa a aparência das Chaminés de Fada, encontradas em uma propriedade rural de Campos Belos, no nordeste de Goiás.
As estruturas são resultado de processos de erosão que desgastam os materiais de maneira desigual. Partes mais resistentes ajudam a proteger os sedimentos abaixo delas, favorecendo a formação das colunas.
A paisagem lembra regiões como a Capadócia, na Turquia, conhecida internacionalmente por suas formações geológicas incomuns.
O atrativo ganhou uma novidade importante em 2026: depois de estudos realizados por pesquisadores da Universidade Federal de Goiás (UFG), as Chaminés de Fada foram abertas à visitação turística.
O passeio, porém, tem regras rigorosas. Como as formações são frágeis, os visitantes precisam permanecer no percurso autorizado, sem subir nas estruturas ou retirar qualquer material do local.
Onde fica: região rural de Campos Belos, no nordeste goiano.
Como visitar: agendamento obrigatório pelo site Chaminés de Fada, com condutor credenciado. O limite é de 50 visitantes por dia.
Quanto custa: ingresso adulto de R$ 70, conforme a tabela divulgada em outubro de 2026. O condutor custa R$ 200 por grupo de até seis pessoas, pago separadamente. Confirme os valores na reserva.
Trilha: aproximadamente 3 km, com duração estimada de duas horas e dificuldade moderada.
3. Serra das Galés — Paraúna
Goiás tem formações rochosas impressionantes, que parecem de outro planeta. | Foto: Prefeitura de Paraúna
Em Paraúna, as pedras parecem ter sido transformadas em esculturas.
A Serra das Galés reúne formações rochosas que receberam nomes de acordo com as figuras que lembram. A mais conhecida é a Pedra do Cálice, um dos cartões-postais do município.
Mas ela não está sozinha. O conjunto também inclui pedras associadas às formas de tartaruga, figuras humanas e outros personagens que dependem de um pouco de imaginação para serem reconhecidos.
O cenário é formado por rochas avermelhadas, vegetação típica do Cerrado e extensas áreas abertas. A impressão é de caminhar por uma exposição de esculturas naturais.
Para conhecer melhor essas paisagens, vale conferir a reportagem do Curta Mais sobre Paraúna e a Serra das Galés, o deserto de pedras de Goiás que parece outro planeta, com detalhes sobre as formações e dicas para explorar a região.
O trabalho de erosão realizado pela água, pelo vento e pelas variações do ambiente ajuda a explicar a variedade de formas.
Onde fica: Serra das Galés, na zona rural de Paraúna, a aproximadamente 27 km do centro da cidade.
Como visitar: a área está inserida em propriedades particulares. O acesso depende das regras dos responsáveis pelos locais de visitação. A trilha até a Pedra do Cálice tem aproximadamente um quilômetro, segundo a Secretaria Estadual de Meio Ambiente.
Dica: organize a visita com antecedência e confirme as condições da estrada e a autorização de entrada.
4. Cidade de Pedra e Parque dos Pireneus — Pirenópolis
Goiás tem formações rochosas impressionantes, que parecem de outro planeta. | Foto: Rotas de Goiás
Pirenópolis é conhecida pelas cachoeiras e pelo centro histórico, mas também guarda uma paisagem que parece cenário de uma cidade abandonada.
A Cidade de Pedra é um conjunto de formações de quartzito distribuídas por uma área de aproximadamente 600 hectares, a cerca de 56 km do município.
As rochas formam corredores, labirintos, paredões e estruturas que lembram ruínas de construções antigas. Algumas têm aparência de rostos e animais; outras parecem blocos empilhados por mãos humanas.
A sensação é de caminhar por uma cidade esculpida pela própria natureza.
O passeio, entretanto, não é simples. A propriedade é particular, as trilhas são acidentadas e os percursos podem variar entre 6 e 12 km. A orientação turística local recomenda acompanhamento de guia experiente.
Na mesma região, o Parque Estadual dos Pireneus oferece outro tipo de experiência geológica. O visitante encontra afloramentos rochosos, paisagens de altitude e formas que revelam a história das rochas do Cerrado.
Onde fica: Cidade de Pedra, na Serra de São Gonçalo, zona rural de Pirenópolis. O Parque Estadual dos Pireneus abrange áreas de Pirenópolis, Cocalzinho de Goiás e Corumbá de Goiás.
Como visitar: para a Cidade de Pedra, procure agências receptivas e guias locais, confirmando previamente a autorização de acesso. O Parque Estadual dos Pireneus abre diariamente, das 8h às 17h.
Atenção: não tente explorar a Cidade de Pedra sem guia. O terreno é um labirinto natural e apresenta trechos de dificuldade média a alta.
5. Rua de Pedra — Caldas Novas
Goiás tem formações rochosas impressionantes, que parecem de outro planeta. | Foto: Rotas de Goiás
Caldas Novas tem uma atração bem diferente das piscinas de águas termais que fizeram a fama da cidade.
Dentro do Parque Estadual da Serra de Caldas Novas, a Rua de Pedra é um cânion aberto em meio ao Cerrado, onde as rochas parecem formar um calçamento construído por pessoas.
O efeito visual chama atenção porque o terreno apresenta blocos e superfícies rochosas com disposição que lembra uma rua antiga.
A formação é natural e está associada à história geológica da serra, composta por rochas sedimentares muito antigas.
A caminhada permite observar a vegetação, os paredões e outros elementos da paisagem protegida pelo parque.
Onde fica: Parque Estadual da Serra de Caldas Novas, com entrada pela Avenida Bento de Godoy, na zona rural do município.
Como visitar: o parque abre todos os dias, das 6h às 18h, com entrada permitida até as 16h. Antes de ir especificamente à Rua de Pedra, confirme com a administração as condições da trilha e o acesso ao atrativo.
Informações oficiais: Parque Estadual da Serra de Caldas Novas.
6. Serra Dourada — Cidade de Goiás e Mossâmedes
Goiás tem formações rochosas impressionantes, que parecem de outro planeta. | Foto: Rotas de Goiás
A Serra Dourada tem uma paisagem marcada por afloramentos rochosos, paredões e áreas de Cerrado que mudam de aparência conforme a incidência da luz.
As formas naturais das pedras, os desníveis e a amplitude do horizonte criam um cenário diferente daquele encontrado nos parques urbanos e nas trilhas mais conhecidas do estado.
A região também possui importância ambiental e científica, com áreas protegidas e uma reserva vinculada à Universidade Federal de Goiás.
Mas aqui existe um detalhe fundamental para quem pretende viajar: o Parque Estadual da Serra Dourada ainda enfrenta questões de regularização fundiária.
Por isso, não é correto apresentar toda a serra como um passeio de acesso livre.
Onde fica: região da Cidade de Goiás e de Mossâmedes.
Como visitar: segundo a Secretaria Estadual de Meio Ambiente, a visitação do parque está restrita à Reserva Biológica da UFG, mediante autorização prévia.
Informações oficiais: Parque Estadual da Serra Dourada.
7. Terra Ronca e Lapa Angélica — São Domingos
Goiás tem formações rochosas impressionantes, que parecem de outro planeta. | Foto: Rotas de Goiás
Se algumas paisagens de Goiás parecem de outro planeta na superfície, Terra Ronca produz a mesma sensação debaixo da terra.
O Parque Estadual de Terra Ronca, no nordeste goiano, protege um dos conjuntos de cavernas mais impressionantes do país.
Na caverna Terra Ronca, a entrada monumental impressiona pela escala. Paredões de rocha se erguem ao redor de uma abertura gigantesca, enquanto a água atravessa o ambiente subterrâneo.
A Lapa Angélica apresenta outra experiência. Seus salões guardam estalactites, estalagmites, cortinas minerais e formações criadas lentamente pelo depósito de minerais ao longo de milhares de anos.
As estruturas lembram esculturas, colunas e cenários de fantasia.
O passeio exige preparo e respeito às normas ambientais. Não é um lugar para explorar por conta própria.
Onde fica: Parque Estadual de Terra Ronca, na região de São Domingos e Guarani de Goiás.
Como visitar: a entrada nas cavernas autorizadas exige acompanhamento de condutor credenciado pelo parque.
Horário: das 8h às 17h.
O que levar: calçado fechado e antiderrapante, capacete adequado, lanterna individual e baterias reservas, conforme as regras oficiais.
Informações oficiais: Parque Estadual de Terra Ronca.
Como planejar uma viagem para conhecer essas paisagens
As sete regiões não formam um roteiro único para um fim de semana. Estão distribuídas por diferentes partes de Goiás, e algumas exigem deslocamentos longos, estradas rurais e acompanhamento especializado.
Para uma viagem curta, o melhor é escolher uma região e explorar os atrativos próximos. Pirenópolis, por exemplo, permite combinar as paisagens rochosas com outras atrações da cidade. Já Campos Belos e Terra Ronca merecem planejamento próprio, especialmente pela distância e pelas exigências de visitação.
Também é importante considerar o período de chuvas. Em atrações com cursos d’água, como o Vale da Lua, o aumento repentino do volume dos rios representa um risco. Nas áreas de trilhas e estradas de terra, as condições de acesso podem mudar.
Antes de viajar, confirme reservas, preços, horários e eventuais restrições com a administração de cada atrativo.


