O Plasma Rico em Plaquetas passou a fazer parte oficialmente das possibilidades terapêuticas para alguns pacientes com osteoartrite do joelho no Brasil.
A Resolução CFM nº 2.464/2026 regulamentou o uso do PRP como tratamento complementar para quatro condições osteomusculares, entre elas a osteoartrite do joelho.
A mudança aumentou a procura pelo procedimento, mas também exige atenção para que o PRP não seja divulgado como solução definitiva para a artrose.
Dr. Mauro Júnior, ortopedista especialista em cirurgia do joelho e membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia do Joelho, explica que o PRP é produzido a partir do próprio sangue do paciente.
Depois da coleta, o sangue passa por centrifugação. O processo permite separar seus diferentes componentes e obter uma concentração de plaquetas.
Essas plaquetas possuem substâncias biologicamente ativas, como fatores de crescimento e citocinas, que participam de processos relacionados à inflamação e à resposta dos tecidos.
É justamente nesse mecanismo que está parte do interesse pelo PRP no tratamento da artrose.
Mas existe uma limitação fundamental: o procedimento não recria uma cartilagem que já foi completamente destruída.
Por isso, selecionar corretamente o paciente é uma das etapas mais importantes.
Segundo Dr. Mauro Júnior, pacientes com artrose leve ou moderada, incluindo determinados casos até o grau 3, costumam apresentar um cenário mais favorável para esse tipo de abordagem.
Quando a doença já provocou deformidade importante, bloqueio da articulação ou perda expressiva da mobilidade, com dificuldade para dobrar ou estender completamente o joelho, o PRP pode deixar de ser a alternativa mais adequada.
Também não se deve esperar uma resposta imediata.
A melhora pode aparecer progressivamente durante as semanas seguintes à aplicação, frequentemente dentro de um período de aproximadamente 30 a 60 dias.
Durante essa fase, fisioterapia, fortalecimento muscular e redução temporária de determinados exercícios de impacto podem fazer parte do planejamento.
Em pacientes selecionados, outra possibilidade é combinar PRP e ácido hialurônico.
Para o especialista, entretanto, nenhuma dessas estratégias deve ser realizada sem uma conversa clara sobre o resultado esperado.
Em sua prática, Dr. Mauro Júnior considera que uma redução de aproximadamente 60% a 70% dos sintomas já pode representar um benefício importante. Isso não deve ser interpretado como garantia de resultado, já que a resposta varia de paciente para paciente.
Antes de decidir pelo PRP, é necessário avaliar o estágio da artrose, os sintomas, a mobilidade, o alinhamento do joelho e os tratamentos já realizados.


