Quem caminha pelo Centro de Goiânia pode encontrar um detalhe que passa despercebido na rotina: algumas ruas são identificadas por números, e não por nomes de personalidades ou datas históricas. Essa característica tem relação com o planejamento urbano da capital e com as ideias adotadas durante sua criação, na década de 1930.
A explicação passa pelo trabalho do arquiteto e urbanista Attilio Corrêa Lima, responsável pelo projeto inicial de Goiânia. Na época, a cidade foi concebida para se tornar a nova capital de Goiás. Por isso, seu traçado precisava organizar ruas, avenidas e espaços públicos de maneira planejada.
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Entre as soluções adotadas estava a identificação numérica de parte das vias. A proposta ajudava a estabelecer uma lógica de organização para a cidade que começava a ganhar forma. Décadas depois, esse traço ainda pode ser observado em áreas da região central.
O urbanista por trás do planejamento de Goiânia
Para entender essa característica, é preciso voltar ao período em que Goiânia começou a ser construída. No início dos anos 1930, o governo de Goiás decidiu criar uma nova capital. O projeto exigia mais do que a abertura de ruas e a construção de edifícios. Era necessário pensar na distribuição dos espaços e no crescimento urbano.
Foi nesse contexto que Attilio Corrêa Lima entrou para a história da cidade. Arquiteto e urbanista, ele elaborou o plano inicial da capital, com referências do urbanismo moderno de sua época.
A numeração de parte das ruas se encaixava nessa proposta de organização. Em vez de depender exclusivamente de nomes próprios, algumas vias receberam números que facilitavam sua identificação dentro do traçado urbano.
A ideia também convivia com outra característica importante do projeto: avenidas principais receberam nomes que se tornaram referências na cidade, como Goiás, Tocantins e Anhanguera. Assim, Goiânia combinou diferentes formas de identificar seus caminhos.
Como funcionava a numeração das ruas?
No Setor Central, o sistema descrito no planejamento original incluía ruas numeradas de 1 a 31. Em outras áreas, a identificação seguia sequências diferentes. O Bairro Popular, por exemplo, tinha vias numeradas de 51 a 80, enquanto o Setor Sul aparecia com números de 82 a 148, conforme o levantamento apresentado no texto-base.
Esse modelo ajudava a diferenciar as vias e a organizar a identificação dos espaços urbanos. Para quem conhece apenas os bairros mais recentes da capital, a lógica pode parecer incomum. Entretanto, ela faz parte de uma fase em que Goiânia estava sendo estruturada para funcionar como uma cidade planejada.
Com o passar do tempo, a expansão urbana trouxe novas configurações. A capital cresceu, novos bairros surgiram e diferentes padrões de identificação passaram a conviver. Por isso, a numeração original não se manteve da mesma forma em toda a cidade.
Por que algumas ruas deixaram de seguir o padrão?
O crescimento de Goiânia modificou a organização de vários bairros. Em determinadas regiões, o sistema numérico deu lugar a letras ou nomes próprios. O Setor Aeroporto é citado como exemplo dessa mudança, com vias identificadas por letras.
A expansão da cidade ajuda a entender por que o padrão inicial não se repetiu de maneira uniforme. Novas áreas passaram a adotar soluções próprias de identificação, enquanto outras preservaram características do planejamento original.
Mesmo com as transformações, a numeração continua fazendo parte da paisagem urbana de Goiânia. No Setor Central, ela ajuda a contar a história de uma cidade que nasceu de um projeto urbanístico e se transformou ao longo das décadas.
Na próxima vez que você passar por uma rua numerada da capital, vale observar as placas com outros olhos. Por trás de um detalhe aparentemente simples, existe uma parte da história de como Goiânia foi pensada e começou a ganhar forma.


