O guia turístico das antigas estações ferroviárias de Goiás é um convite para descobrir uma parte da história do estado que ainda permanece de pé. Muito antes das rodovias dominarem os deslocamentos, locomotivas transportavam passageiros, mercadorias e novidades entre cidades que cresceram ao redor dos trilhos.
Em municípios como Pires do Rio, Urutaí, Vianópolis, Silvânia e Leopoldo de Bulhões, antigas estações ajudam a contar como a ferrovia influenciou a ocupação do território goiano. Algumas construções foram restauradas e ganharam funções culturais. Outras permanecem como marcos arquitetônicos e históricos, mesmo sem receber trens de passageiros.
O passeio interessa especialmente a quem gosta de fotografia, arquitetura, memória regional e viagens pelo interior. É também uma oportunidade de conhecer cidades que raramente aparecem entre os destinos turísticos mais procurados de Goiás.
A seleção do Curta Mais considera a relevância histórica das estações, a existência de registros oficiais sobre os imóveis e a possibilidade de incluí-los em passeios culturais.
1. Estação Ferroviária de Goiânia: a história começa na capital
Antigas estações ferroviárias preservam a memória dos trens e ajudam a contar a história de cidades do interior de Goiás. Foto: Prefeitura Municipal de Goiânia
Quem passa pela Praça do Trabalhador encontra um dos principais símbolos da Goiânia antiga. A estação ferroviária, inaugurada em 1950, foi construída em estilo Art Déco e integrou a rede de transporte que conectava a capital ao interior do estado.
O edifício preserva elementos arquitetônicos marcantes, como linhas geométricas e detalhes decorativos característicos da época. Em seu interior, dois afrescos de Frei Nazareno Confaloni ajudam a contar outra parte da história artística de Goiás.
A antiga estação foi transformada em espaço cultural e passou a abrigar o Museu Frei Nazareno Confaloni. Na área externa, a locomotiva histórica conhecida como Maria Fumaça é outro elemento associado à memória ferroviária da cidade.
É um bom ponto de partida para quem deseja compreender a importância dos trilhos antes de explorar as cidades do interior.
Serviço — Estação Ferroviária de Goiânia
Onde fica: Praça do Trabalhador, Avenida Goiás, 1799, Setor Central, Goiânia.
O que conhecer: arquitetura Art Déco, fachada histórica e patrimônio ferroviário.
Visitação: a área externa integra o espaço urbano; confirme a programação e o acesso interno antes da visita.
Informações: Prefeitura de Goiânia — Centros Culturais
2. Estação Ferroviária de Leopoldo de Bulhões: o entroncamento que marcou Goiás
Antigas estações ferroviárias preservam a memória dos trens e ajudam a contar a história de cidades do interior de Goiás. Foto: Prefeitura Municipal de Leopoldo de Bulhões
Em Leopoldo de Bulhões, a antiga estação ferroviária representa um dos capítulos mais importantes da expansão dos trilhos em Goiás. Inaugurada em 1931, a construção teve papel estratégico na ligação entre diferentes municípios e no transporte de produtos agrícolas.
O local se tornou especialmente relevante quando a linha ferroviária passou a se dividir em direção a Anápolis e Goiânia. A partir desse entroncamento, a circulação de cargas e passageiros contribuiu para transformar a economia regional.
A estação também guarda a memória de uma cidade cuja formação esteve diretamente ligada à ferrovia. Para quem gosta de história, o passeio permite observar a arquitetura do prédio e imaginar o movimento de trabalhadores, comerciantes e viajantes que passaram pela região.
A própria prefeitura apresenta a estação como ponto turístico do município. Entretanto, não divulga nessa página horários de visitação interna, o que torna recomendável entrar em contato antes de viajar.
Serviço — Estação Ferroviária de Leopoldo de Bulhões
Onde fica: Leopoldo de Bulhões, Goiás. Solicite à prefeitura a localização de acesso ao imóvel.
O que conhecer: antiga estação e memória do entroncamento ferroviário.
Visitação: acesso interno não confirmado.
Contato: (62) 99700-8931.
Informações: Prefeitura de Leopoldo de Bulhões — Estação Ferroviária
3. Estação Ferroviária de Silvânia: de parada de trem a espaço cultural
Antigas estações ferroviárias preservam a memória dos trens e ajudam a contar a história de cidades do interior de Goiás. Foto: Prefeitura Municipal de Silvânia
A estação ferroviária de Silvânia tem uma história curiosa. Inaugurada em 3 de maio de 1930, recebeu inicialmente o nome de Caturama. Posteriormente, foi chamada de Bonfim, acompanhando a antiga denominação do município, até receber o nome atual.
Outra particularidade é a localização: a construção foi erguida a aproximadamente seis quilômetros da sede municipal, já que os trilhos não passaram pelo centro da cidade.
Depois da desativação, em 1987, o prédio teve diferentes utilizações. Em 2013, passou por restauração e foi entregue novamente à comunidade, recebendo funções culturais.
O cadastro mantido pela Prefeitura de Silvânia no Mapa Goiano de Cultura informa que o espaço abriga acervo histórico, biblioteca e atividades comunitárias. Para quem deseja conhecer uma antiga estação que ganhou nova função, é um dos pontos mais promissores deste guia.
Serviço — Estação Ferroviária de Silvânia
Onde fica: região da antiga estação ferroviária, a aproximadamente 6 km da sede de Silvânia.
O que conhecer: edifício restaurado, memória ferroviária e acervo cultural.
Horário divulgado no cadastro municipal: segunda a sexta-feira, das 8h às 16h. Confirme antes de sair, pois o cadastro não garante funcionamento atualizado.
Contato: (62) 3332-2554.
E-mail: [email protected]
Informações: Mapa Goiano de Cultura — Estação Ferroviária de Silvânia
4. Estação Ferroviária de Vianópolis: arquitetura e memória no centro da cidade
Antigas estações ferroviárias preservam a memória dos trens e ajudam a contar a história de cidades do interior de Goiás. Foto: Prefeitura Municipal de Vianópolis
A antiga estação de Vianópolis foi inaugurada em 1924 e integrou a Estrada de Ferro Goyaz, responsável por conectar diferentes localidades do interior ao sistema ferroviário nacional.
Localizado na região central do município, o edifício preserva características da arquitetura ferroviária da época. Sua estrutura remete ao período em que as estações funcionavam como pontos de encontro, movimentação comercial e chegada de visitantes.
Um inventário turístico publicado pela Goiás Turismo registra que o prédio já abrigou uma pequena biblioteca e um escritório de serviço militar. Entretanto, como o documento é antigo, não é possível garantir que essas atividades continuem funcionando atualmente.
A visita pode interessar a quem gosta de fotografar construções históricas e conhecer cidades que se desenvolveram com a expansão ferroviária.
Serviço — Estação Ferroviária de Vianópolis
Onde fica: Rua Guarani, Centro, Vianópolis.
O que conhecer: fachada, arquitetura ferroviária e entorno histórico.
Visitação: acesso ao interior
Informações: Inventário turístico de Vianópolis — Goiás Turismo
5. Estação Ferroviária de Pires do Rio: onde uma cidade nasceu ao redor dos trilhos
Antigas estações ferroviárias preservam a memória dos trens e ajudam a contar a história de cidades do interior de Goiás. Foto: Prefeitura Municipal de Pires do Rio
Em Pires do Rio, a ferrovia não apenas ajudou a desenvolver a cidade: ela participou diretamente de seu nascimento. A estação foi inaugurada em 9 de novembro de 1922, quando a expansão da Estrada de Ferro Goyaz transformava a região em um importante ponto de circulação de mercadorias e passageiros.
O município recebeu o nome de José Pires do Rio, então ministro da Viação e Obras Públicas, que esteve na região durante a construção da ponte ferroviária Epitácio Pessoa.
A antiga estação é um dos principais símbolos da memória local. A cidade também abriga o Museu Ferroviário, instalado em um antigo galpão de manutenção de locomotivas, com acervo histórico relacionado aos trabalhadores e à operação dos trens.
Atenção: o Museu Ferroviário está oficialmente fechado para reforma, conforme informação disponível na Secretaria de Estado da Cultura. Portanto, não deve ser anunciado como atração aberta ao público neste momento.
Outro patrimônio que merece atenção é a Ponte Epitácio Pessoa, construída sobre o Rio Corumbá. Com estrutura metálica de 125 metros, é um marco da engenharia ferroviária em Goiás. Por se tratar de uma ponte antiga e desativada, não é recomendável atravessá-la sem autorização e avaliação das condições de segurança.
Serviço — Estação Ferroviária de Pires do Rio
Onde fica: região central de Pires do Rio, Goiás.
O que conhecer: patrimônio arquitetônico ferroviário e pontos históricos da cidade.
Museu Ferroviário: Avenida Coronel Lino Teixeira de Sampaio, s/n, Centro. Fechado para reforma.
Contato do museu: (64) 3461-7970.
E-mail: [email protected]
Informações: Secretaria de Estado da Cultura — Estação Ferroviária
6. Estação Ferroviária de Urutaí: um patrimônio que atravessou gerações
Antigas estações ferroviárias preservam a memória dos trens e ajudam a contar a história de cidades do interior de Goiás. Foto: Prefeitura Municipal de Urutaí
Urutaí é outra cidade cuja história está profundamente ligada à chegada dos trilhos. Sua estação ferroviária foi inaugurada em 15 de novembro de 1914, quando a região começava a receber trabalhadores, comerciantes e famílias atraídas pelas oportunidades abertas pela ferrovia.
Ao redor da estação surgiram moradias, depósitos e estabelecimentos comerciais. A movimentação contribuiu para a formação do povoado que, posteriormente, se transformaria no município.
Após décadas de atividade, o prédio perdeu sua função ferroviária. O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) realizou sua restauração e, em 2014, cedeu o uso à prefeitura para atividades culturais.
O projeto previa biblioteca, sala multiuso, inclusão digital e espaços externos para apresentações. Em 2025, a prefeitura divulgou uma cerimônia em homenagem às vítimas do acidente ferroviário de 1964 realizada na antiga estação, demonstrando a permanência do local na memória coletiva da cidade.
Serviço — Estação Ferroviária de Urutaí
Onde fica: antiga estação ferroviária, Urutaí, Goiás. Confirme o endereço de acesso com a prefeitura.
O que conhecer: arquitetura histórica e memória da Estrada de Ferro Goyaz.
Visitação: programação cultural eventual; horários de abertura interna não confirmados.
Contato: (64) 99232-3300.
Informações: Prefeitura de Urutaí
Perguntas frequentes
Existe passeio de trem turístico entre essas cidades?
Não há uma operação regular de trem turístico de passageiros ligando as estações apresentadas neste guia. O roteiro é feito por deslocamento rodoviário.
É possível entrar em todas as antigas estações?
Não. Alguns imóveis têm usos culturais, enquanto outros possuem acesso interno não confirmado. A estação de Silvânia tem horário divulgado em cadastro municipal, mas ele deve ser conferido antes da viagem.
O Museu Ferroviário de Pires do Rio está aberto?
Não. Na consulta realizada em 19 de outubro de 2026, a Secretaria de Estado da Cultura ainda informava que o espaço estava fechado para reforma.
Qual é a melhor época para conhecer as estações?
O roteiro pode ser realizado ao longo do ano. Para fotografar fachadas e caminhar pelos centros históricos, é recomendável evitar os horários de calor mais intenso e acompanhar a previsão do tempo.
Vale a pena fazer esse passeio com crianças?
Pode ser uma experiência educativa para conhecer história e arquitetura. Entretanto, os responsáveis devem observar as condições de acesso, evitar áreas ferroviárias operacionais e não permitir a entrada em estruturas abandonadas ou interditadas.
A história ferroviária de Goiás não está apenas nos livros. Ela permanece nas fachadas, nos antigos galpões, nas pontes e nas cidades que nasceram ao redor dos trilhos. Conhecer esse patrimônio é também uma forma de compreender como o interior goiano se desenvolveu e preserva sua identidade.
Para ampliar o passeio pelo interior, confira também a matéria do Curta Mais sobre a Estrada de Ferro como atração turística de Goiás.
Apuração: Redação Curta Mais. Informações públicas consultadas em 19 de outubro de 2026. Acesso interno, horários e condições de visitação devem ser confirmados diretamente com os responsáveis.


