Goiás terá dois novos representantes no Senado Federal a partir de 2027. Gracinha Caiado (União Brasil) e Gustavo Gayer (PL) foram eleitos nas eleições de 2026 e seguirão para Brasília com trajetórias bastante diferentes.
Gayer terminou a disputa em primeiro lugar. Ele recebeu 1.639.247 votos, o equivalente a 24,53% dos votos válidos. Gracinha ficou com a segunda vaga, com 1.458.522 votos, ou 21,83%.
A chegada dos dois ao Senado também marca momentos distintos de suas carreiras. Gayer já ocupava um cargo eletivo e deixa a Câmara dos Deputados depois de um primeiro mandato iniciado em 2023. Gracinha, por outro lado, disputou uma eleição pela primeira vez em 2026 e conquistou diretamente uma cadeira no Senado.
Por isso, conhecer a história dos dois ajuda a entender como dois nomes de perfis tão diferentes passaram a representar Goiás no Congresso Nacional.
Gracinha Caiado nasceu na Bahia e construiu sua vida em Goiás
Maria das Graças Landim de Carvalho Caiado, conhecida como Gracinha Caiado, nasceu em Feira de Santana, na Bahia, em 30 de abril de 1959. Formou-se em Direito pela Universidade Federal da Bahia (UFBA) e também construiu trajetória profissional ligada à produção rural. O Senado registra suas atividades profissionais como advogada, produtora rural e gestora.
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Antes de ocupar funções no governo de Goiás, Gracinha já tinha atuação no setor agropecuário. Ela chegou a ser diretora da União Democrática Ruralista (UDR) na Bahia. Foi justamente em uma reunião da entidade, em 1986, que conheceu Ronaldo Caiado, então uma das principais lideranças do movimento ruralista. Os dois se casaram em 1990 e passaram a viver em Goiânia.
O casal tem duas filhas, Maria e Marcela. Ao longo da carreira política de Ronaldo Caiado, Gracinha também acompanhou atividades relacionadas ao trabalho parlamentar e à representação política do marido.
Além da formação em Direito, ela realizou estudos na área de gestão pública. Seu perfil de campanha registra especializações na Universidade de Oxford e na Escola Superior de Guerra.
Em 2023, a Câmara Municipal de Goiânia concedeu a Gracinha o Título de Cidadã Goianiense, reconhecendo sua atuação social na capital. Embora tenha nascido na Bahia, ela já estava estabelecida em Goiânia havia décadas.
A área social se tornou a principal marca de Gracinha
Foi durante o governo de Ronaldo Caiado, iniciado em 2019, que Gracinha passou a ocupar uma posição de maior destaque na administração pública de Goiás.
Ela se tornou presidente de honra da Organização das Voluntárias de Goiás (OVG) e coordenadora do Gabinete de Políticas Sociais (GPS). Em 2019, também passou a comandar o Grupo Técnico Social, estrutura responsável por integrar diferentes ações sociais do Estado.
Nesse período, sua atuação ficou diretamente associada ao Goiás Social, política criada para integrar programas de combate à pobreza e de proteção social.
A estratégia reuniu iniciativas como Mães de Goiás, Aluguel Social, Bolsa Estudo, Crédito Social e ProBem, entre outras ações. O governo estadual afirma que o programa combina transferência de renda, assistência, formação e inserção produtiva.
A OVG também ampliou sua atuação durante o período. Segundo dados divulgados pela própria organização, a entidade chegou a registrar 4,5 milhões de atendimentos anuais em 2022, crescimento de 340% em relação ao início daquela gestão.
Em 2026, antes de deixar a função para disputar o Senado, Gracinha continuou participando de ações do Goiás Social em diferentes municípios. A primeira edição do programa naquele ano, por exemplo, ocorreu em Campos Belos, onde ela apresentou a iniciativa como uma das principais marcas de sua passagem pela área social.
A candidatura ao Senado representou, portanto, uma mudança importante. Pela primeira vez, Gracinha colocou seu próprio nome nas urnas para disputar um cargo eletivo. E conseguiu transformar uma trajetória construída sobretudo na gestão social em um mandato parlamentar. O Senado confirmou que 2026 foi sua primeira eleição para um cargo político.
Gustavo Gayer começou como professor e empresário
A trajetória de Gustavo Gayer Machado de Araújo começou em outro ambiente. Nascido em Goiânia, em 13 de abril de 1981, ele é filho da ex-delegada, ex-vereadora e ex-deputada estadual Maria da Conceição Gayer. A Câmara dos Deputados registra sua profissão como professor e sua formação em nível superior.
Antes de entrar na política, Gayer trabalhou como professor de idiomas e empresário da área de educação. Ele fundou e administrou uma rede de escolas de idiomas e permaneceu ligado ao ensino de inglês durante anos.
Foi, entretanto, na internet que ele ganhou projeção nacional.
A partir de 2015, Gayer passou a produzir conteúdo de análise política nas redes sociais. A atuação digital ampliou sua visibilidade e o transformou em um nome identificado com a direita e com o bolsonarismo.
A passagem do ambiente digital para a política institucional aconteceu em 2020.
Em 2020, Gayer tentou chegar à Prefeitura de Goiânia
Gayer disputou a Prefeitura de Goiânia nas eleições municipais de 2020, pelo Democracia Cristã. Terminou o primeiro turno em quarto lugar, com 45.928 votos, equivalentes a 7,62%.
Apesar de não avançar para o segundo turno, o desempenho ajudou a consolidar seu nome na política goiana.
Dois anos depois, Gayer disputou uma vaga na Câmara dos Deputados pelo PL. O resultado foi expressivo: ele terminou como segundo deputado federal mais votado de Goiás, atrás apenas de Silvye Alves, e tomou posse em fevereiro de 2023.
A partir daí, sua atuação política passou a acontecer dentro do Congresso Nacional.
Na Câmara, Gayer assumiu papel de oposição
Durante o primeiro mandato, Gayer ocupou funções de liderança partidária e de oposição. O registro oficial da Câmara mostra que ele atuou como vice-líder do PL e, posteriormente, em funções de vice-líder da Oposição e da Minoria. Em dezembro de 2025, passou a exercer a liderança da Minoria.
Sua atuação parlamentar concentrou-se em temas como liberdade de expressão, segurança pública, educação e críticas ao governo federal. Em sua própria apresentação política, Gayer destaca ainda propostas relacionadas à educação inclusiva, endurecimento de penas e redução de impostos.
Na Câmara, também participou de comissões e grupos de trabalho ligados à educação, comunicação, relações exteriores, segurança pública, inteligência artificial e regulamentação das redes sociais.
Um dos temas que marcou seu primeiro mandato foi a participação na CPI do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Gayer apresentou requerimentos para convocação de pessoas ligadas ao financiamento de movimentos sociais e participou de iniciativas para realizar diligências relacionadas às áreas investigadas pela comissão.
Sua atuação também esteve cercada de disputas políticas. Em 2025, o PT apresentou uma representação contra Gayer no Conselho de Ética da Câmara, alegando quebra de decoro parlamentar. O processo foi posteriormente arquivado pelo colegiado, em votação realizada em outubro daquele ano.
Dois caminhos diferentes que agora chegam ao mesmo lugar
Gracinha Caiado e Gustavo Gayer chegam ao Senado por caminhos que praticamente se encontram apenas no destino.
Ela construiu sua trajetória entre Direito, agropecuária, política social e a influência adquirida ao lado de Ronaldo Caiado. Durante sete anos, esteve à frente de estruturas sociais do governo de Goiás e tornou-se uma das figuras mais conhecidas da administração estadual.
Ele percorreu outro caminho. Começou como professor e empresário, ganhou projeção produzindo conteúdo político na internet, tentou a Prefeitura de Goiânia em 2020 e, dois anos depois, chegou à Câmara dos Deputados. Agora, troca o mandato de deputado pelo de senador.
A eleição de 2026 coloca os dois em uma nova etapa. A partir de 1º de fevereiro de 2027, Gracinha e Gayer terão mandato de oito anos no Senado Federal.
E, embora tenham construído carreiras diferentes, os dois passam a ocupar juntos duas das três cadeiras destinadas a Goiás no Senado. O terceiro senador do Estado é Jorge Kajuru, cujo mandato segue até 2031.
O que muda agora
No Senado, os dois terão funções diferentes das que exerceram anteriormente. A Casa participa da elaboração das leis federais, analisa propostas vindas da Câmara, vota autoridades indicadas para determinados cargos e exerce funções específicas de fiscalização e controle.
Para Gracinha, será a estreia em um cargo eletivo. Para Gayer, será a continuidade de uma carreira política iniciada apenas seis anos antes, mas agora em uma Casa com mandato de oito anos.
A eleição, portanto, não representa apenas a escolha de dois novos nomes para Brasília. Ela também marca a chegada ao Senado de duas trajetórias políticas construídas em ambientes muito diferentes, uma ligada à gestão social e outra à comunicação digital e à militância política.


