Notas de R$ 5, R$ 20 e R$ 200 deixam de servir para compras e viram matéria-prima para uma exposição gratuita em Goiânia. A mostra “Dinheiro Vivo”, de Vik Muniz, será aberta no dia 6 de outubro, às 19h, na Galeria Leo Romano, com a presença do próprio artista.
A exposição reúne obras feitas com fragmentos de cédulas descartadas pela Casa da Moeda do Brasil. Com pequenos pedaços de dinheiro, Vik Muniz constrói imagens de animais da fauna brasileira e recria paisagens históricas. As composições são posteriormente fotografadas e transformadas nas obras que chegam a Goiânia.
A entrada é gratuita e a exposição permanece em cartaz até 31 de janeiro de 2027.
Como dinheiro virou matéria-prima para arte
A história de “Dinheiro Vivo” começou a partir de outro trabalho de Vik Muniz.
Depois do incêndio que atingiu o Museu Nacional, no Rio de Janeiro, em 2018, o artista colaborou com o processo de recuperação da instituição. Nesse contexto, entrou em contato com a Casa da Moeda e conheceu de perto o processo de fabricação das cédulas brasileiras.
Foi quando descobriu que folhas com imperfeições são retiradas antes de entrar em circulação e depois trituradas e destinadas à reciclagem.
A Casa da Moeda ofereceu parte desse material ao artista. Vik Muniz recebeu o dinheiro picado e, em 2022, começou a série “Dinheiro Vivo”.
Exposição “Dinheiro Vivo”, de Vik Muniz, reúne obras produzidas com fragmentos de cédulas brasileiras. Crédito: divulgação
Os fragmentos coloridos passaram a ser organizados até formar novas imagens. Em algumas obras, existe ainda uma relação direta entre a nota utilizada e aquilo que aparece no trabalho.
Nota de R$ 200 vira lobo-guará
Uma das partes mais curiosas da exposição está nas obras dedicadas aos animais estampados nas cédulas brasileiras.
Exposição “Dinheiro Vivo”, de Vik Muniz, reúne obras produzidas com fragmentos de cédulas brasileiras. Crédito: divulgação
A seleção apresentada em Goiânia reúne Mico-leão-dourado, Arara, Garça, Garoupa, Lobo-guará e Onça-pintada, todos produzidos em 2022.
Vik Muniz estabeleceu uma regra para criar esse conjunto: cada animal deveria ser construído somente com fragmentos da cédula em que aquela espécie aparece.
Isso significa que o lobo-guará é feito com pedaços da nota de R$ 200, enquanto a garça utiliza fragmentos da nota de R$ 5.
O dinheiro, portanto, não funciona apenas como matéria-prima. A própria origem de cada pedaço participa da construção da imagem.
Paisagens brasileiras também são reconstruídas com dinheiro
Outro conjunto da série utiliza o mesmo papel-moeda para reconstruir representações históricas de paisagens brasileiras, especialmente imagens produzidas por artistas viajantes no século XIX.
Exposição “Dinheiro Vivo”, de Vik Muniz, reúne obras produzidas com fragmentos de cédulas brasileiras. Crédito: divulgação
Entre os trabalhos que estarão em Goiânia aparecem “Serra Ouro Branco, a partir de Johann Moritz Rugendas”, “Praia Rodrigues, a partir de Johann Moritz Rugendas”, “Dinheiro Vivo: Vista da costa da Bahia, a partir de Johann Moritz Rugendas” e “Lagoa Rodrigo de Freitas, a partir de Franz Keller Leuzinger”.
Até as cores disponíveis nas cédulas interferiram na criação.
Ao produzir as paisagens, Vik Muniz encontrou uma dificuldade bastante específica: o verde necessário para representar partes da vegetação estava disponível no número 20 da nota de R$ 20, tornando o processo de montagem mais trabalhoso.
A série acaba colocando lado a lado duas representações do Brasil: os animais e paisagens que aparecem nas imagens e o próprio dinheiro brasileiro desmontado para reconstruí-las.
Vik Muniz terá duas exposições gratuitas em Goiânia
“Dinheiro Vivo” será a segunda exposição de Vik Muniz aberta na capital em dois dias consecutivos.
No dia 5 de outubro, às 17h, a Vila Cultural Cora Coralina recebe “REVER: imagem e reflexão”, mostra com 60 trabalhos produzidos ao longo de três décadas da carreira do artista.
O Curta Mais já mostrou os detalhes da primeira exposição gratuita de Vik Muniz em Goiânia.
No dia seguinte, 6 de outubro, a programação continua com “Dinheiro Vivo”, na Galeria Leo Romano.
Vik Muniz estará presente nas duas aberturas. As duas exposições têm entrada gratuita e permanecem em cartaz até 31 de janeiro de 2027.
Apesar de acontecerem praticamente ao mesmo tempo, as propostas são diferentes. Enquanto “REVER” percorre diferentes fases da trajetória do artista, “Dinheiro Vivo” concentra-se na produção iniciada em 2022 a partir dos fragmentos de cédulas.
Galeria terá também obras de Tomie Ohtake e outros artistas
Quem visitar “Dinheiro Vivo” encontrará outra programação gratuita no mesmo espaço.
Nos demais pavimentos da Galeria Leo Romano será apresentada uma seleção do acervo da Nara Roesler com trabalhos de artistas de diferentes gerações.
Entre os nomes previstos estão Tomie Ohtake, Abraham Palatnik, Daniel Senise, Lucia Koch, Julio Le Parc e Rodolpho Parigi.
A abertura acontece também no dia 6 de outubro, às 19h, e a visitação segue até 31 de janeiro de 2027.
Serviço | Vik Muniz – Dinheiro Vivo
Abertura: 6 de outubro de 2026
Horário: 19h
Presença de Vik Muniz: sim, na abertura
Visitação: 6 de outubro de 2026 a 31 de janeiro de 2027
Local: Galeria Leo Romano, Goiânia
Realização: Sesc Goiás
Parceria: Nara Roesler e Galeria Leo Romano
Entrada: gratuita
Nara Roesler: site oficial
Instagram: @nararoesler
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