Contra o fim das bets, Hugo Bravo critica Bolsa Família: “Escravizou o preguiçoso”

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Hugo Jorge Bravo – Vice-Presidente do Vila Nova (Foto – Roberto Corrêa)

A possibilidade de novas restrições às casas de apostas no Brasil provocou uma reação contundente do vice-presidente do Vila Nova, Hugo Bravo. Após a vitória colorada sobre o América-MG, o dirigente classificou a discussão como uma “medida eleitoreira” e criticou a intenção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, de avançar contra as bets. Lula afirmou que decidiu trabalhar pelo fim das plataformas de apostas no país.

Ao questionar a prioridade dada ao tema, Hugo Bravo fez duras críticas ao Bolsa Família, programa de transferência de renda do Governo Federal. “O país está com problemas por inúmeros outros fatores e quer colocar na conta da bet. O problema é que o país não é só bet. O problema chama-se Bolsa Família, que escravizou o preguiçoso. No estado do país tem mais Bolsa Família do que CNPJ registrado”, afirmou o dirigente.

Hugo Bravo relacionou a declaração à dificuldade enfrentada pelo Vila Nova Futebol Clube para contratar funcionários. “E aqui no Vila nós sofremos, parindo porco-espinho para contratar funcionário.” Na sequência, comparou os impactos das apostas aos provocados pelo consumo de álcool e cigarro e criticou o que considera tratamentos diferentes para atividades que também provocam problemas sociais. “Temos que parar de hipocrisia”, disparou.

Apesar das críticas à possibilidade de proibição, o vice-presidente reconheceu que as apostas provocam danos sociais e defendeu a tributação e a utilização desses recursos para enfrentar o problema. “Precisa ter taxação mesmo, para reparar um pouco do dano social que causa. Se eu falar para você que não causa dano social, não é verdade.” Para Bravo, restrições excessivas podem fortalecer operadores clandestinos: “Você vai abrir espaço para o jogo ilegal, para as plataformas ilegais.”

O dirigente também levou a discussão para o campo político. “Véspera de eleição, o povo prejudicado, esse país, a balbúrdia que está, aí vem se falar numa medida dessa, onde os clubes têm contratos plurianuais.” Hugo ainda criticou a polarização: “Enquanto esse país ficar nessa polarização de direita e esquerda e não tiver um viés de mudar o discurso, de combater o que é errado e caminhar pelo certo, nós vamos continuar” enfrentando os mesmos problemas.

No caso específico do Vila Nova, Hugo Bravo fez uma estimativa da perda das receitas relacionadas às bets. “Na prática mesmo, o que significa hoje esse patrocínio? Perder 20% da sua arrecadação anual.” O dirigente colorado ressaltou que o clube possui compromissos e contratos para a próxima temporada estruturados considerando as receitas atualmente existentes.

Ele também citou possíveis reflexos nos direitos comerciais da Série B. Segundo ele, o Vila recebe atualmente cerca de R$ 12 milhões líquidos na competição e poderia sofrer uma redução significativa. “Do dia para a noite vai cair para seis. Um time igual ao Vila Nova está lascado, com contratos para o ano que vem.” Além do patrocínio direto, o dirigente mencionou receitas de transmissão, placas publicitárias e outros contratos relacionados ao setor.

A posição do Vila Nova está alinhada à mobilização de clubes brasileiros que defendem a manutenção do mercado regulamentado, com maior fiscalização e mecanismos de prevenção aos problemas causados pelas apostas. As equipes argumentam que mudanças abruptas poderiam comprometer contratos e fortalecer o mercado clandestino. Lula, por outro lado, relaciona sua posição ao endividamento e à ludopatia e já rebateu o argumento de que o futebol brasileiro não sobreviveria sem esse dinheiro.


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