Pesquisa Quaest mostra Flávio Bolsonaro com 42% contra 40% de Lula em eventual segundo turno. Fotos: Vittor Sales e Reprodução/Ricardo Stuckert.
O senador Flávio Bolsonaro (PL) aparece pela primeira vez numericamente à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em um cenário de segundo turno para a eleição presidencial de 2026, segundo pesquisa Quaest divulgada nesta segunda-feira (14). O levantamento, contratado pelo jornal O Globo e pela TV Globo, mostra Flávio com 42% das intenções de voto, contra 40% de Lula.
Apesar da vantagem numérica do senador, o resultado ainda configura empate técnico, já que a margem de erro da pesquisa é de dois pontos percentuais para mais ou para menos. Na rodada anterior, divulgada na semana passada, Lula e Flávio apareciam empatados em 41%.
A nova sondagem foi realizada entre os dias 10 e 13 de setembro, em meio a uma semana marcada pelo agravamento da crise interna no Supremo Tribunal Federal (STF). Os conflitos envolvendo ministros da Corte ganharam espaço no debate político e passaram a ser explorados pelas campanhas presidenciais.
No primeiro turno, entretanto, Lula permanece na liderança. O presidente registra 36%, enquanto Flávio Bolsonaro aparece com 31%. Augusto Cury (Avante) tem 7%, Renan Santos (Missão) aparece com 4%, e Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo) têm 3% e 2%, respectivamente.
Flávio avança entre eleitores independentes
A mudança no cenário de segundo turno é especialmente significativa entre os chamados eleitores independentes, grupo que não se identifica nem com a esquerda ou com o lulismo nem com a direita ou o bolsonarismo.
Nesse segmento, Flávio Bolsonaro aparece com 36%, enquanto Lula soma 26%, uma diferença de dez pontos percentuais a favor do senador. O comportamento desse grupo é considerado relevante porque reúne eleitores menos vinculados aos dois principais polos políticos da disputa.
A vantagem do candidato do PL também cresceu no Sudeste, região mais populosa do país. Flávio passou a registrar uma diferença de 16 pontos percentuais sobre Lula no recorte regional, contra nove pontos na pesquisa anterior.
A oscilação, contudo, ocorreu dentro da margem de erro de três pontos percentuais para esse segmento. Por isso, o dado não permite afirmar isoladamente uma mudança estatisticamente consolidada, mas aponta uma trajetória favorável ao senador na região.
Flávio reduz diferença entre as mulheres
Outro movimento observado pela Quaest ocorreu entre o eleitorado feminino. Embora Lula ainda apareça numericamente à frente de Flávio nesse grupo, a distância entre os dois diminuiu.
A vantagem do presidente, que era de seis pontos percentuais na rodada anterior, caiu para três pontos. A margem de erro nesse segmento também é de três pontos percentuais.
O dado ocorre em um cenário no qual Flávio tenta ampliar sua presença para além do eleitorado tradicionalmente identificado com o bolsonarismo, enquanto Lula busca preservar sua vantagem entre grupos que historicamente formam parte importante de sua base eleitoral.
Crise no STF entra no debate eleitoral
A pesquisa foi realizada justamente durante uma semana de forte tensão no Supremo Tribunal Federal. As disputas internas na Corte dominaram o noticiário e passaram a integrar de maneira mais direta o discurso dos candidatos.
Flávio Bolsonaro, que também é investigado no caso Master, concentrou sua estratégia em críticas ao ministro Alexandre de Moraes e procurou associar o magistrado ao governo Lula.
O STF deve analisar a possibilidade de abertura de investigação contra Moraes, movimento que passou a ocupar espaço relevante no debate político e institucional.
A estratégia do senador ocorre em um momento em que a eleição presidencial se aproxima de uma fase decisiva. O resultado da Quaest mostra que, embora Lula ainda mantenha a liderança no primeiro turno, a disputa contra Flávio se tornou mais equilibrada em uma eventual segunda etapa.
Lula vence Caiado, Cury e Renan, mas perde vantagem contra Flávio
Além do confronto entre Lula e Flávio Bolsonaro, a Quaest testou outros cenários de segundo turno.
Contra Augusto Cury, Lula aparece com 38%, enquanto o candidato do Avante registra 36%. A diferença de dois pontos configura empate técnico.
No confronto com Ronaldo Caiado, o presidente marca 41%, contra 39% do governador de Goiás. Novamente, a distância está dentro da margem de erro.
Já diante de Renan Santos, fundador do Movimento Brasil Livre (MBL) e candidato pelo Missão, Lula registra 41%, enquanto o adversário aparece com 38%.
O único cenário em que Lula apresenta uma vantagem superior à margem de erro é contra Romeu Zema. O presidente tem 45%, contra 33% do ex-governador de Minas Gerais, uma diferença de 12 pontos percentuais.
Cenários de segundo turno

Eleitores de adversários de Lula tendem a migrar para Flávio
A pesquisa também analisou o comportamento dos eleitores dos demais candidatos em um eventual segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro.
O senador do PL aparece como o principal destino dos votos de adversários de Lula. Entre os eleitores que declaram intenção de votar em Renan Santos no primeiro turno, 50% afirmam que escolheriam Flávio no segundo turno, enquanto 18% migrariam para Lula.
Entre os eleitores de Augusto Cury, 41% dizem que votariam em Flávio Bolsonaro em uma eventual segunda etapa, enquanto 25% escolheriam o presidente.
Os números ajudam a explicar a competitividade do senador no segundo turno, especialmente diante da fragmentação do campo que se apresenta como alternativa ao atual presidente.
Aprovação de Lula permanece estável
A pesquisa também mostra estabilidade na avaliação do governo Lula. 43% dos entrevistados aprovam o trabalho do presidente, enquanto 50% desaprovam e 7% não souberam ou não responderam.
Na avaliação da administração federal, 32% consideram o governo ótimo ou bom, 27% classificam como regular e 38% avaliam a gestão como ruim ou péssima.
A manutenção da aprovação ocorre a três semanas do primeiro turno e mesmo diante da repercussão de episódios que atingiram o ambiente político nas últimas semanas, incluindo a crise envolvendo o STF e o caso relacionado a Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha.
Disputa segue aberta a menos de um mês da eleição
O levantamento reforça o cenário de forte equilíbrio na corrida presidencial. Embora Lula mantenha a liderança no primeiro turno, a distância para Flávio Bolsonaro diminuiu e o senador passou a aparecer numericamente à frente em uma simulação de segundo turno.
A diferença de dois pontos, entretanto, não representa uma liderança consolidada, já que está dentro da margem de erro. O principal dado político da rodada, portanto, é a mudança na tendência do confronto direto entre os dois principais candidatos, que passaram de 41% a 41% para 42% a 40% a favor de Flávio.
A pesquisa Quaest ouviu 2.004 eleitores em todo o país entre 10 e 13 de setembro. O levantamento tem nível de confiança de 95%, margem de erro máxima de dois pontos percentuais e está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-03607/2026.
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