Uma rotina que começa em Goiânia vai ganhar as montanhas dos Alpes italianos nos próximos dias.
Radicado na capital goiana há cerca de 20 anos, o empresário e ultramaratonista Fernando Andrade se prepara para encarar um dos maiores desafios de sua trajetória esportiva. Nesta quarta-feira, ele embarca para a Itália para disputar a Tor des Géants, no Valle d’Aosta.
A prova reúne números que ajudam a dimensionar o desafio. Fernando terá pela frente 350 quilômetros de percurso, mais de 25 mil metros de ganho de elevação e um limite de 150 horas para completar o trajeto.

Nesta edição, apenas sete brasileiros estarão entre os participantes.
Antes de viajar, no entanto, Fernando mantém a rotina de preparação em Goiânia. Até terça-feira (8), ele também estará disponível para entrevistas com emissoras de televisão, rádios, jornais, portais e podcasts.
A ideia é compartilhar os bastidores de uma preparação que envolve muito mais do que correr.
O desafio começa muito antes da largada
Uma ultramaratona de 350 quilômetros exige planejamento.
O atleta precisa administrar o ritmo. Também precisa controlar alimentação, hidratação, descanso e equipamentos. Além disso, precisa tomar decisões durante a prova enquanto o corpo acumula horas de esforço.
No caso de Fernando, a preparação começou muito antes da viagem.
Sua trajetória nas longas distâncias avançou gradualmente. Ele já participou de provas de 42 km, 80 km, 110 km, 133 km e 176 km.

Cada distância acrescentou uma nova camada de experiência.
Agora, a Tor des Géants praticamente dobra a maior distância que ele completou anteriormente.
Experiência de 176 quilômetros abriu caminho
Em 2025, Fernando completou a HOKA UTMB Mont Blanc, uma das principais provas internacionais de trail running.
Na ocasião, percorreu 176 quilômetros em uma rota que passa por França, Itália e Suíça e contorna o Mont Blanc.
Foram aproximadamente 43 horas de prova e mais de 10 mil metros de ganho de elevação.
A experiência serviu como mais uma etapa em uma trajetória construída com desafios progressivamente maiores.
Agora, porém, a escala muda.
Na Tor des Géants, Fernando terá pela frente 350 quilômetros e mais de 25 mil metros de ganho de elevação. O tempo máximo para completar a prova chega a 150 horas.
Por isso, o desafio não se resume à velocidade.
Em distâncias tão longas, administrar o esforço pode ser tão importante quanto correr.

Entre os negócios e os Alpes
A preparação para a prova acontece paralelamente à carreira profissional.
Paranaense de Maringá, Fernando também morou em Florianópolis, Brasília, Bournemouth, na Inglaterra, e La Rochelle, na França. Depois, escolheu Goiânia para viver.
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Na capital, construiu parte importante de sua trajetória profissional. Administrador com MBA em Gestão de Projetos, atua como empresário e professor de MBA e de cursos na área financeira.
Ele também é sócio e CEO da A8 Business Consult, empresa que trabalha com estruturação e reestruturação de negócios, controladoria financeira externa, auditoria financeira e diagnóstico econômico-financeiro.
Além da corrida, Fernando pratica jiu-jitsu e mergulho.
Essa combinação de atividades também aparece no livro “Um CEO ultramaratonista”, no qual ele relaciona experiências das provas de resistência com situações do ambiente empresarial.

O que uma prova de 350 km ensina sobre limites nos alpes
Uma das características que diferenciam as ultramaratonas das provas tradicionais está no tempo de permanência em movimento.
O atleta passa muitas horas administrando o próprio corpo e tomando decisões.
Sono, alimentação, ritmo e recuperação entram na estratégia. Ao mesmo tempo, o desgaste físico aumenta progressivamente.
Por isso, a preparação mental ganha espaço.
Fernando chega à Itália depois de construir experiência em distâncias menores e intermediárias. O caminho até os 350 quilômetros passou por provas de 42, 80, 110, 133 e 176 quilômetros.
A progressão mostra uma escolha clara: aumentar o desafio por etapas.
Agora, ele terá pela frente uma distância que exige outro nível de resistência.
Goiânia como ponto de partida
Embora a competição aconteça a milhares de quilômetros da capital goiana, é em Goiânia que Fernando encerra os últimos dias de preparação.
A cidade virou sua casa há aproximadamente duas décadas. Também se tornou o cenário dos treinos que antecedem a viagem para a Itália.
Na próxima quarta-feira, ele deixa Goiás acompanhado da esposa, Livia.
Na bagagem, leva equipamentos, experiência e meses de preparação.
A largada nos Alpes representa, portanto, o próximo passo de uma trajetória que começou com distâncias menores e chegou a um dos desafios mais longos de sua carreira.
E existe uma particularidade nessa história.
Para chegar aos 350 quilômetros, Fernando não precisou começar correndo 350.
Ele construiu o caminho quilômetro por quilômetro.


